POUPANÇA VOLTA A TER CAPTAÇÃO LÍQUIDA, MAS HÁ APLICAÇÕES MELHORES

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 14/08/2017

Fernanda Rogozyk[1]

“Li essa semana no jornal que a poupança teve captação positiva em julho. Nos últimos meses, tenho lido muita coisa sobre a poupança não ser um bom investimento. Gostaria de saber se vocês indicariam a poupança nesse novo cenário de queda de taxa de juros que está acontecendo. ”

Dúvida do Dr. Fabio Siqueira, advogado

De fato, R$ 2,3 bilhões! Essa foi a captação líquida da caderneta de poupança no mês de julho. É o terceiro mês consecutivo com captação líquida de recursos. O aumento das aplicações ocorreu porque:

1)  Os trabalhadores investiram os recursos do FGTS inativo (foram entregues R$ 42 bilhões das contas inativas aos trabalhadores);

2)  A queda da inflação deu ganho real ao trabalhador.

Isso quer dizer que a poupança é o melhor investimento que tem? Não! Grande parte da população aplica na poupança por desconhecer outros tipos de investimentos com risco semelhante (ou menor) e rentabilidades maiores. O principal concorrente da poupança é o Tesouro Direto.

Para entender as principais características e riscos de cada um, vamos às comparações:

Risco:

Poupança

Aplicação é feita em uma caderneta de poupança de um banco. Aqui temos o risco de o banco quebrar. Se isso ocorrer, o governo não garante seu dinheiro de volta, quem garante é o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), instituição mantida pelos bancos e que garante depósitos na poupança até o limite de R$250.000 por banco e por CPF. Se você tem mais que R$ 250.000 na poupança, terá um problema para reaver seu dinheiro.

Tesouro Direto

O risco aqui é limitado à capacidade de pagamento do Tesouro Nacional, o que hoje representa o menor risco da economia.  Estamos longe do risco de um calote dos títulos pelo governo. Mesmo em uma situação muito complicada, o governo tem outras alternativas antes do calote, como, por exemplo, elevar impostos ou emitir mais moeda para pagar a dívida.

Melhor: Tesouro Direto

 

Rentabilidade

Poupança

O cálculo hoje é TR + 0,5% ao mês, dado que os juros (Selic) estão acima de 8,5% ao ano. Caso estejam abaixo de 8,5% ao ano, TR + 70% da Selic. Ao ano, você receberá 6,16%.

Tesouro Direto

Os títulos que acompanham a taxa Selic são os que devemos comparar. Hoje estão rendendo por volta de 9,25% ao ano, mas cairão à medida que o taxa de juros cair. Mesmo assim, eles rendem perto de 100% da Selic (que é muito próxima ao CDI). Então, se os juros caírem abaixo de 8,5% ao ano, fica ainda mais claro que renderão melhor do que a poupança.

Melhor: Tesouro Direto

Aplicação mínima e liquidez

Poupança

Não há valor mínimo, no entanto, a rentabilidade é computada mensalmente no dia do aniversário. Caso o resgate seja feito antes, o investidor perde a rentabilidade que seria ganha no mês.

Tesouro Direto

É possivel comprar títulos a partir de R$ 30,00. Os títulos têm datas definidas de vencimento, no entanto, o Tesouro Nacional promove recompras diárias desses papéis, podendo ter alguma oscilação no preço conforme o mercado.

Melhor:  Tesouro Direto

Para concluir, podemos dizer que não há justificativa financeira para aplicar na poupança; somente a falta de conhecimento. Que tal começar a ganhar mais dinheiro aplicando em produtos com melhor rentabilidade?

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

[1] Sócia da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados

SOBRE A NOTA DO TESOURO NACIONAL SÉRIE B (NTN-B)

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 31/07/2017

Gustavo Cunha[1]

“Em entrevista ao Valor, em junho, o gestor do Verde, Luiz Stuhlberger, afirmou que hoje metade do fundo está em NTN-B com duration curta. Sou conservador e gostaria de investir cerca de R$ 5.000,00 em renda fixa. Queria saber, considerando os cenários para os juros nos próximos anos, se tal título seria a melhor opção. Para diversificar, que outros títulos seriam boas alternativas?”

Dúvida de Otavio Farias, graduando em Economia pela UFRJ

Otavio, muito obrigado por sua questão. Essa dúvida em relação a que título investir no Tesouro Direto é uma questão que tenho recebido com frequência.

A Nota do Tesouro Nacional série B, ou NTN-B, é um título que rende inflação (IPCA) mais juros. Diferentemente do mercado onde o Fundo Verde atua e compra esses títulos, no caso do Tesouro Direto, que seria onde você compraria, existem dois tipos de NTN-B à venda: a que paga cupom e a que não paga (NTN-B Principal)[2].

As NTN-Bs são títulos recomendados para investimentos com horizontes longos, já que mantêm o poder de compra do valor investido. Como esses títulos são corrigidos pela inflação, em um caso de inflação alta você acaba ganhando mais dinheiro o que faz com que o seu poder de compra seja mantido. Isso se aplica para prazos mais longos, mas não necessariamente para prazos curtos (menos de 12 meses), visto que a inflação tem uma sazonalidade bem definida nos 12 meses do ano.

O que o gestor em questão está fazendo é comprar NTN-Bs de vencimento curto (duration curto), com prazo entre 1 e 2 anos, conforme indica a reportagem. Eu não aconselharia a você comprar esses títulos agora.

Primeiro, por conta da alíquota de imposto de renda para seu investimento, que entre 1 e 2 anos seria de 17,5%, e não os 15% que se tem a partir de 2 anos. Segundo, porque o Tesouro Direto tem somente uma NTN-B à venda que tem prazo inferior a 2 anos, a NTN-B Principal 2019, que está pagando aproximadamente IPCA+4% aa, que é a taxa que esse gestor acreditava que iria render. Ele acertou, e muito provavelmente deve agora estar reduzindo essa operação. Um terceiro argumento é que indico títulos atrelados à inflação somente para objetivos específicos, e sempre atrelados ao longo prazo, como por exemplo, separar um dinheiro para a faculdade dos filhos, aposentadoria ou compra de uma casa.

Sem saber mais sobre qual é o seu objetivo/meta para usar esse dinheiro, minha indicação seria investir em dois outros títulos do Tesouro Direto, o Tesouro Selic (LFT) e o Tesouro Pré-Fixado (LTN), na proporção que você se sentir confortável. Lembrando que a LFT é um título que varia bem menos do que a LTN, e quanto mais você colocar nela mais conservadora sua carteira será.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

Para quem tiver interesse esse é o link da reportagem citada pelo Otavio: http://www.valor.com.br/financas/5014330/o-brasil-e-uma-ilusao-de-otica

[1] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceiro estratégico da GO Associados

[2] No mercado interbancário só é negociado o título que paga cupom (NTN-B), que é uma parte dos juros pago semestralmente ao detentor do título. A NTN-B Principal tem somente um fluxo de pagamento, em seu vencimento.