Vale a pena o benefício fiscal do PGBL?

Fernanda Rogozyk[1]

A resposta é sim!

O final do ano está chegando e para quem não investiu em PGBL esse ano, agora é o momento.

O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) é um plano de previdência privado e uma opção de investimento para quem faz a declaração completa do imposto de renda, já que suas contribuições permitem a dedução de até 12% da renda bruta anual tributável. O valor investido deve ser informado no imposto de renda.

Como funciona?

Supondo que a pessoa tenha R$ 100.000,00 de renda anual tributável e investiu o limite máximo permitido para dedução de 12%, ou seja, R$ 12.000,00.

Se ela não tivesse feito o PGBL, pagaria 27,5% sobre R$ 100.000,00. Com o PGBL, ela paga 27,5% sobre R$ 88.0000,00 (R$ 100 mil – R$ 12 mil).

Quadro 1: Com PGBL x Sem PGBL

  Sem PGBL Com PGBL
     
Renda annual 100.000,00 100.000,00
Deduções 12.000,00
Renda tributável 100.000,00 88.000,00
Alíquota de IR 27,50% 27,50%
IR pago 27.500,00 24.200,00
     
  Ganho de R$ 3.300  
     

Elaboração própria.

Esse ganho de R$ 3.300 não siginifica que você deixará de pagar impostos no PGBL. Na verdade, você adia esse pagamento, uma vez que a cobrança de IR no PGBL ocorre no resgate sobre o valor acumulado: contribuições mais rendimento.

Ainda assim, você poderá ter ganhos fiscais, dependendo da tabela de imposto de renda escolhida, que pode ser progressiva ou regressiva:

Tabela regressiva: a alíquota de IR pode chegar a 10% caso você deixe o dinheiro investido por 10 anos. Nesse caso, além do adiamento, o pagamento será em uma alíquota mais baixa.

Tabela progressiva: o resgate pode ser de valores inferiores da tabela e a alíquota ser mais baixa.

Outro ponto importante é que esse valor que você deixa de pagar para o governo agora será investido e te proporcionará rendimentos futuros.

O passo seguinte é escolher o plano onde investir.

  • Escolha um que não cobre taxa de carregamento, pois isso impactará na rentabilidade de seu investimento.
  • A escolha do fundo dependerá de seu perfil e o quanto tempo você deixará o dinheiro aplicado. A taxa de administração também deve ser comparada entre as opções. Hoje existem fundos bem competitivos.

Aproveite a oportunidade de benefício fiscal e comece a investir em seu próprio futuro, pode ser uma maneira de começar um plano de previdência.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 21/11/2017

[1] Sócio e Fundador da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégico da GO Associados.

BITCOIN, NÃO COMPROU AINDA?

Gustavo Cunha[1]

Quanto mais o Bitcoin sobe, mais gera curiosidade e mais gente acaba comprando. Já cheguei até ver artigos comparando-o com os bens de Giffen, que é uma categoria econômica de bens onde quanto maior o preço maior a demanda. Por outro lado, grandes investidores se mostram bastante preocupados com o fato do Bitcoin não parar de subir o que gera um medo de estar criando uma bolha. Warren Buffet e James Dimon recentemente deram declarações nesse sentido e Dimon, que é presidente mundial do JP Morgan, foi até além, afirmando que o Bitcoin é uma fraude.

Difícil saber se estamos diante de uma bolha ou não, mas vou tentar levantar um ponto interessante sobre o Bitcoin e que poucos investidores têm notado. O Bitcoin é um excelente ativo para diversificação de carteira. Explico. Diversificação está intimamente ligada a diminuição de risco. Segundo as teorias de alocação de portfólio, onde a mais conhecida é a da fronteira eficiente, um novo ativo deveria sempre ser considerado se agregasse em termos de diversificação, ou seja, que se a carteira anterior à colocação desse ativo tivesse uma volatilidade maior do que a carteira após a colocação desse ativo.

Não é preciso muita matemática ou estatística para ver no gráfico abaixo que o bitcoin é bem descorrelacionado dos ativos locais brasileiros, como bolsa e o câmbio (R$/US$). Um bom exemplo foi o mês de novembro/2016, onde o Ibovespa caiu e o Bitcoin subiu. Outro exemplo no sentido contrário encontramos no mês de setembro/2017. Isso, sem contar dias específicos, como o dia da delação da JBS, onde tivemos um movimento significativo do câmbio e do Ibovespa e o Bitcoin nem se alterou. Se rodarmos modelos de correlação isso fica bastante evidente.

Minha visão é que quem acha que o Bitcoin pode ser uma bolha não viu ainda o potencial de alta desse ativo à medida que os gestores de dinheiro do mundo começarem a alocar nele por conta desse fator de diversificação.

Por fim, mas não menos importante, o White paper do Satoshi Nakamato completou 9 anos essa semana, que também foi marcada pelo anuncio da CME (maior bolsa de derivativos americana) que irá listar entre seus produtos futuros de bitcoins até o fim desse ano.

Quadro 1: Evolução mensal da Ibovespa, câmbio (R$/US$) e Bitcoin

bitcoin

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 6/11/2017

IRRACIONALIDADE INFLUENCIA DECISÕES FINANCEIRAS

Fernanda Rogozyk

“Acompanhei na divulgação do Prêmio Nobel de Economia a questão da economia comportamental. Somos de fato irracionais nas decisões financeiras?”

Sim. O que se tem estudado nos últimos anos é como esses comportamentos influenciam nossas decisões financeiras. Isso tem ganhado tanta relevância que o último Nobel de Economia foi dado a Richard Thaler, economista americano e professor da Universidade de Chicago, justamente por suas contribuições para a economia comportamental.

Sua premissa básica é de que os seres humanos não são sempre racionais e que suas escolhas são baseadas em questões subjetivas e culturais.

Richard analisou as tomadas de decisões financeiras aliadas aos conceitos de psicologia, as limitações da racionalidade e como a falta de autocontrole afeta as decisões individuais.

A teoria clássica de economia que acreditava que com informações disponíveis somos capazes de tomar decisões racionais é desafiada. Uma pessoa não deveria comprar três iogurtes quando só quer um, apenas para ganhar um brinde; deveria economizar durante sua vida para ter uma aposentadoria tranquila; deveria cortar gastos em vez de comprar no cartão de crédito se não tem recursos suficientes para aquela compra.

Fica claro que as decisões não são tão simples assim, e aí entra o conceito de irracionalidade na economia, que trata de questões psicológicas que fazem com que reajamos de uma forma diante de certos estímulos. Por exemplo, uma promoção. Um produto em promoção é percebido como um negócio melhor do que se fosse vendido pelo mesmo preço, mas não em promoção.

Essa irracionalidade acaba tendo um grande impacto financeiro na vida das pessoas.

Mesmo com informações sobre finanças, é difícil para as pessoas mudarem seus comportamentos, muitas vezes, automáticos.  Para isso, Richard acredita que a chave é simplificar o processo de decisão ao máximo. Por exemplo, se investir seu dinheiro é um processo complicado, muito provavelmente você deixará o dinheiro parado em conta até gastar tudo.

Nesse caso acima, por exemplo, sabendo que é necessário simplificar o processo de investimento, podemos optar por uma aplicação programada.

Outro ponto de Thaler refere-se à comparação relativa e absoluta de valores. Normalmente, deixamos levar por percentuais de preços e não por números absolutos. Se um produto de R$ 50 está R$ 10 mais barato em outro lugar, desistimos de comprar, mas, se o produto vale R$ 5.000, compramos, mesmo que o concorrente esteja vendendo por R$ 10 a menos.

São os mesmos R$ 10 que pesarão no bolso, mas reagimos de forma diferente, irracional. Comparamos o tempo que levaremos para procurar ou ir até outro local para efetuar a compra versus o quanto isso representa do produto. Parece óbvio, mas não deixa de ser uma forma irracional já que se trata da mesma quantidade de dinheiro.

Existem inúmeros exemplos e fica praticamente impossível isolar comportamentos irracionais nas tomadas de decisão, afinal esses comportamentos são inerentes aos seres humanos.

Como diz o próprio Richard sobre seu prêmio em dinheiro recebido: “Vou gastar da forma mais irracional possível”. Faça você o mesmo também. Uma ótima semana.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 23/10/2017