O QUE ESPERAR PARA O PRÓXIMO ANO

Fernanda Rogozyk[1]

Gustavo Cunha[2]

Ricardo Trindade[3]

Com 2017 chegando ao fim, algumas incertezas serão levadas para 2018, como a reforma da Previdência e a reforma tributária, o que deverá alterar os cenários para os investimentos. Sem contar que será um ano de eleições que seguramente influencia o comportamento dos mercados.

A aprovação da reforma da Previdência é essencial para que os juros sejam mantidos em patamares baixos. Um revés nessa aprovação pode acarretar maior volatilidade e impacto na trajetória de queda tanto da inflação quanto da taxa de juros, aumentando as incertezas.

Neste ano, a Selic caiu à sua mínima histórica, 7% ao ano, e a inflação, sob controle, fecha o ano abaixo de 3%, piso da meta do Banco Central. Uma nova queda pode ocorrer em fevereiro de 2018, conforme sinalizado pelo Copom, dependendo, contudo, da aprovação da reforma da Previdência.

Mas, ao contrário de 2017, no próximo ano o BC não terá tanto espaço para cortes na taxa de juros.

A queda das taxas de juros impacta diretamente os investimentos dos brasileiros. Parte dos investimentos em renda fixa perde seu atrativo e deixa de ser um ganho fácil (praticamente sem risco), como vinha acontecendo nos últimos anos. Um exemplo são os fundos de investimento de renda fixa com taxa de administração acima de 1%. Caso sejam resgatados em prazo inferior a seis meses, perdem em rentabilidade até mesmo para a caderneta da poupança.

Isso não quer dizer que a poupança seja o melhor investimento, longe disso. Mas, a partir de agora, deve-se prestar mais atenção em quais produtos investir e buscar a diversificação. Diante desse cenário, bastante incerto, a cautela é fundamental.

Para os recursos de curto prazo, a renda fixa ainda é interessante, como CDBs de pequenos bancos (limitado à garantia do FGC de R$ 250 mil reais por CPF), fundos com taxas abaixo de 1% e o Tesouro Selic. Para o médio e longo prazo, a diversificação é essencial, evitando concentrações em riscos elevados.

A diversificação implica em manter parte dos recursos em renda fixa, como os títulos de Tesouro indexados à inflação (NTN-B), fundos imobiliários, debêntures de infraestrutura, os CDBs dentro dos limites do FGC e parte em outros ativos não correlacionados, como fundos multimercados, que já contam com a diversificação em suas carteiras, renda variável e criptomoedas.

Com relação à Bolsa de Valores, o ano eleitoral promete muita volatilidade. A provável condenação do ex-presidente Lula e o número elevado de candidatos aumentam mais a incerteza em relação ao resultado do pleito, ou seja, a eleição será o divisor de águas para o mercado financeiro.

Por outro lado, a imprevisibilidade pode abrir algumas janelas de oportunidades. Alguns segmentos que foram penalizados pela crise nos últimos anos configuram-se como boas apostas para 2018, como varejo, infraestrutura e saneamento. Outros setores interessantes para alocação de capital de risco seriam algumas empresas do setor elétrico e algumas small caps, que são empresas de baixa capitalização ou valor de mercado.

Por fim, mas não menos importante, 2017 se mostrou o ano em que o mundo tomou conhecimento e começou a investir em uma nova categoria de investimentos: as criptomoedas, onde o maior expoente dessa categoria é o Bitcoin. Esses novos ativos claramente vieram para ficar, e começar a investir para entender e se aproveitar da valorização que eles terão deve estar nos planos de qualquer investidor para 2018.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

Texto é parte integrante do Relatório Executivo da GO Associados, de 18/12/17

[1] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados.

[2] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados

[3] Consultor especial da GO Associados e Colaborador da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados.

BLOCKCHAIN – A nova vedete do mercado

Gustavo Cunha[1]

Blockchain é a nova vedete do mercado. Atualmente é quase impossível conversar com alguém sobre futuro, inovação ou tecnologia, sem esbarrar nessa palavra. Outro sinal claro disso está sendo a difusão de eventos sobre o tema; estive em cinco nesses últimos meses. Mas o que é blockchain? Para que serve? É isso o que explicarei a seguir.

Para começar, vamos ver de onde ele surgiu. O blockchain é a tecnologia por trás da criptomoeda Bitcoin, cuja negociação, interesse e preço têm crescido exponencialmente nos últimos anos. Desta forma, a primeira aplicação do blockchain foi para viabilizar transações monetárias entre desconhecidos de maneira segura e sem uma contraparte central para garantir as operações.

Explicando de maneira simples, o blockchain é um grande banco de dados monitorado por vários computadores. As operações são gravadas em ordem cronológica e depois de gravadas não se consegue alterá-las. Trata-se um “protocolo da confiança” que tem na descentralização e na imutabilidade dos dados sua segurança.

Uma vantagem do blockchain é o fato dele ter uma atitude preventiva, e não reativa, em relação às fraudes. Para que a transação ocorra por meio do blockchain, temos de concordar com suas características e checar, entre outras coisas, sua validade, de tal forma que se a operação é registrada é porque foi validada. Hoje, no caso de cartões de crédito, por exemplo, primeiro as operações são registradas para depois serem canceladas caso ocorra alguma coisa errada.

As utilizações do blockchain são inúmeras, e são tão mais eficientes quanto mais usuários precisarem trocar informações. Na área médica, por exemplo, será possível guardar todas as informações relativas ao histórico de saúde de uma pessoa, como exames, vacinas, procedimentos e diagnósticos, em uma conta pessoal única, facilitando assim o acesso aos dados pelos médicos a qualquer momento.

Outra utilização será o registro de imóveis, pois o bem poderá ser registrado dentro de um blockchain, fazendo com que seja desnecessário se ter um cartório atestando a propriedade do imóvel. Podemos ainda mencionar a Bolsa de Valores, bancos e até o Uber e o Airbnb. Ou seja, sua grande utilização vem do fato da descentralização, associada à imutabilidade dos registros no banco de dados, tornarem desnecessária a existência de intermediários.

Parece uma coisa magnífica, e eu realmente acho que é, mas ela traz, como tudo, alguns pontos de atenção. O primeiro é uma mudança na nossa forma de pensar; hoje temos todos nossos bens custodiados/garantidos por um intermediário, seja banco, corretora, bolsa, cartório de imóveis etc. Caso ocorra algum problema, recorremos a eles e pronto. No caso de estruturas de blockchain não há um terceiro responsável. Toda a responsabilidade passa para o usuário o que pressupõe uma necessidade grande segurança digital para ele. Por outro lado, há aqui também um maior empoderamento do indivíduo, já que esse terá todas suas informações e as dará para quem ele quiser.

Outro fator é que a nossa estrutura jurídica, que assim como nossa forma de pensar, está baseada em uma contraparte central, ou se preferir, um intermediário. A quebra de barreiras entre países e, mais precisamente no caso das criptomoedas, a não existência de uma contraparte central onde as operações sejam registradas e possam ser visualizadas, taxadas e controladas, são outro ponto de atenção importante.

Acho que ficou claro que sou um entusiasta dessa tecnologia, e acredito que ela mudará significativamente o cenário financeiro, econômico, tecnológico e transacional nos próximos anos, fazendo com que tenhamos uma economia muito menos centralizada e com um empoderamento enorme das pessoas no controle das suas vidas. Também acredito que esse processo que começou agora é irreversível, e que quanto menor a intervenção do estado na sociedade, maior e mais rápida será a sua transformação.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

 

[1] Sócio da FinLab/Bom de Bolso

Texto publicado no relatório executivo da GO associados de 04/dez/2017