Porque a bolsa caiu e porque isso pode não significar uma reversão de tendência.

Essa semana o mercado internacional tomou um susto com a queda generalizada das bolsas de valores do mundo puxadas, pela queda histórica do índice Dow Jones americano que caiu 4,6%. Esta foi a maior queda em um só dia desde 2011.

As razões para essa queda derivam dos números mais positivos para a economia americana, que aumentaram a probabilidade de uma alta dos juros americanos possivelmente mais expressiva e mais rápida do que se previa. Com juros mais altos, a atratividade do investimento em ações de empresas fica menor, entre outras razões pela expectativa de resultados financeiros menores dessas empresas no futuro, e assim há uma queda no mercado de renda variável como um todo. Esta abordagem fez parte da minha participação no programa Conta Corrente da Globonews da última terça-feira. (http://g1.globo.com/globo-news/conta-corrente/videos/t/todos-os-videos/v/apos-forte-tombo-bolsas-de-nova-york-e-de-sao-paulo-fecham-em-alta/6481495/).

Mas aqui eu gostaria de abordar dois outros fenômenos. O primeiro é a diminuição no apetite a risco mundial. Nos últimos anos, tivemos os bancos diminuindo mais e mais suas áreas de trading e o que chamamos áreas proprietárias. Que entre outras coisas, tinham limites de risco definidos para fazerem apostas em determinados ativos com o dinheiro dos Bancos. Bem, pós 2008, essas áreas foram quase extintas e as poucas que restam podem assumir um risco muito menor do que antes. Uma das principais razoes para isso foram as regulamentações americanas (Dodd-Frank e Volker Rules) que aumentaram em muito o capital requerido dos bancos para fazerem essas operações e também implementaram a necessidade de vários controles que aumentaram os custos relativos à essas áreas.

Outro fenômeno se passou na indústria de fundos, onde nos últimos anos tivemos uma migração enorme de fundos ativos para fundos passivos. A grande diferença entre esses dois tipos é que o passivo tem por política e objetivo apenas acompanhar um determinado índice, ao passo que o ativo tem apetite e limite de risco para tentar superar a rentabilidade desse benchmark ou índice.

Quando juntamos esses dois acontecimentos nos deparamos com uma menor quantidade de especuladores no mercado. Ou seja, há menos fundos e tesourarias de bancos com limites de risco para comprar um determinado ativo quando achar que ele está barato e vender quando achar que está caro. Se a presença de especuladores no mercado colabora para amortecer os impactos, sua ausência significa que movimentos mais bruscos podem ser esperados.

Isso que descrevi acima ainda não pode ser notado estatisticamente, ou pelo menos não vi estudo recente (e teria que ser realmente recente, dado que esse processo é cumulativo) mas não tenho dúvidas de que isso está ocorrendo.

Outro aspecto que queria abordar é a importância do papel do planejador financeiro nesses momentos de volatilidade, e aqui temos estudos que mostram isso claramente. Uma das principais formas que os planejadores financeiros podem agregar valor na gestão de investimentos é não deixando que os vieses de comportamentos que todos nós temos ocorram em momentos de alta volatilidade dos ativos. Estudos do mercado americano demonstram que o fato de a pessoa não entrar em pânico e zerar suas posições nesses

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