ESTÁ NA HORA DE COMPRAR DÓLAR?

Quase todos os clientes com que falei na última semana sobre investimentos vieram com a mesma pergunta: está na hora de comprar dólar? Impressionante como a alta rápida que a moeda americana teve perante o real brasileiro está na mídia e na cabeça de todos os brasileiros e estrangeiros ligados ao Brasil.
Minha resposta a essa pergunta sempre vem acompanhada de uma pergunta: você tem algum tipo de compromisso em dólar atualmente, ou pretende tê-lo em um futuro próximo? Com essa pergunta o objetivo é mapear se o cliente, empresa ou indivíduo precisarão converter valores em reais para valores em dólares.
Minha indicação é que, para aquele que tem compromissos, dívidas, planeje viajar ou até mudar com a família para o exterior, deve-se preparar para fazer isso e ter pelo menos os gastos do próximo ano já na moeda do seu compromisso. Por exemplo, se a pessoa irá viajar para a Europa em dezembro, já deveria ir comprando um pouco de euros ou dólares a cada mês, de tal forma que, se o real se desvalorizar muito nesse período, ela seria menos afetada.
No caso de empresas, o travamento das dívidas em dólares é um fator importante, dependendo da atividade.
Empresas que produzem ativos dolarizados têm uma proteção natural quanto a esses movimentos, mas as que não possuem essa vantagem têm que buscar uma forma de fazê-lo.
Por outro lado, pessoas ou empresas que não têm nenhum compromisso em moeda estrangeira não deveriam ter por que se preocupar com os movimentos diretos do dólar. Comprar dólares para elas poderia ser visto como um investimento especulativo tanto quanto comprar ações ou criptomoedas, já que isso em nada tem a ver com seus ativos e passivos.
Por outro lado, essas empresas e indivíduos podem e, provavelmente, serão afetados indiretamente pelo movimento do câmbio. O principal canal de transmissão se faz pela inflação.
Dito isso, comprar um pouco de dólares poderia ser não uma especulação, mas uma diversificação de carteira com o intuito de se proteger contra o movimento que ocorrera na inflação. Minha visão sobre isso não é exatamente conclusiva, pois para alguns casos isso faz sentido, dependendo muito da estrutura tributária, mas de modo geral a melhor recomendação é de compra de ativos que subam com a inflação, e aí temos desde títulos públicos a fundos imobiliários e imóveis.
Em resumo, independente de para onde irá o câmbio do real/dólar, antes de comprar ou vender é necessário que se avalie o quanto você está exposto a essa variação para depois decidir. Você poderá comprar dólares com o intuito de proteção ou de especulação, mas é importante que isso esteja bem claro.