UMA QUESTÃO DE ATITUDE

Recentemente saiu uma matéria no jornal Valor com o título: “Guardar ou gastar é uma atitude emocional”, que tem a ver com finanças comportamentais, estudos dedicados a entender como a psicologia humana impacta nas decisões financeiras, muitas vezes irracionais.

Alguns dados que aparecem na reportagem: 4 em cada 10 brasileiros tem algum investimento (replica a concentração de renda no país), 32% dos brasileiros conseguiram economizar em 2017, sendo que nesse grupo 59% mencionou redução de despesas de lazer ou compras desnecessárias para conseguir ter folga no orçamento.

Esses dados mostram que parte das pessoas mudaram atitudes e é aí que entra a questão das finanças comportamentais. Hoje se sabe que tanto decisões quanto mudanças de atitudes estão muito mais correlacionadas a questões psicologicas que simplesmente financeira.

Estes estudos acreditam que as pessoas não são tão racionais quanto as teorias de finanças tradicionais acreditavam, por sermos movidos por emoções, expectativas e normas sociais que desviam nossas habilidades de raciocínio.

Guardar dinheiro ou consumir está ligado a uma atitude emocional e por essa razão, quanto mais próximas a racionalidade conseguirmos deixá-las, mais fácil será lograr um êxito.

Poupar por poupar, sem um objetivo claro torna-se muito abstrato. É fundamental fazer sentido e a melhor maneira é estabelecer um objetivo para o dinheiro: comprar um bem, pagar a faculdade, viajar, aposentadoria ou para quando decidir deixar de trabalhar….esses objetivos devem-se traduzir em números: quanto vale, em quanto tempo pretendo ter esse valor?

Esse exercício faz com que as decisões comecem a ser racionais, e ajudam os investidores a treinarem seu mindset e estarem atentos aos seus comportamentos para evitar cometer erros ou não conseguir atingir seus objetivos.

Faça esse exercício!

ESTÁ NA HORA DE COMPRAR DÓLAR?

Quase todos os clientes com que falei na última semana sobre investimentos vieram com a mesma pergunta: está na hora de comprar dólar? Impressionante como a alta rápida que a moeda americana teve perante o real brasileiro está na mídia e na cabeça de todos os brasileiros e estrangeiros ligados ao Brasil.
Minha resposta a essa pergunta sempre vem acompanhada de uma pergunta: você tem algum tipo de compromisso em dólar atualmente, ou pretende tê-lo em um futuro próximo? Com essa pergunta o objetivo é mapear se o cliente, empresa ou indivíduo precisarão converter valores em reais para valores em dólares.
Minha indicação é que, para aquele que tem compromissos, dívidas, planeje viajar ou até mudar com a família para o exterior, deve-se preparar para fazer isso e ter pelo menos os gastos do próximo ano já na moeda do seu compromisso. Por exemplo, se a pessoa irá viajar para a Europa em dezembro, já deveria ir comprando um pouco de euros ou dólares a cada mês, de tal forma que, se o real se desvalorizar muito nesse período, ela seria menos afetada.
No caso de empresas, o travamento das dívidas em dólares é um fator importante, dependendo da atividade.
Empresas que produzem ativos dolarizados têm uma proteção natural quanto a esses movimentos, mas as que não possuem essa vantagem têm que buscar uma forma de fazê-lo.
Por outro lado, pessoas ou empresas que não têm nenhum compromisso em moeda estrangeira não deveriam ter por que se preocupar com os movimentos diretos do dólar. Comprar dólares para elas poderia ser visto como um investimento especulativo tanto quanto comprar ações ou criptomoedas, já que isso em nada tem a ver com seus ativos e passivos.
Por outro lado, essas empresas e indivíduos podem e, provavelmente, serão afetados indiretamente pelo movimento do câmbio. O principal canal de transmissão se faz pela inflação.
Dito isso, comprar um pouco de dólares poderia ser não uma especulação, mas uma diversificação de carteira com o intuito de se proteger contra o movimento que ocorrera na inflação. Minha visão sobre isso não é exatamente conclusiva, pois para alguns casos isso faz sentido, dependendo muito da estrutura tributária, mas de modo geral a melhor recomendação é de compra de ativos que subam com a inflação, e aí temos desde títulos públicos a fundos imobiliários e imóveis.
Em resumo, independente de para onde irá o câmbio do real/dólar, antes de comprar ou vender é necessário que se avalie o quanto você está exposto a essa variação para depois decidir. Você poderá comprar dólares com o intuito de proteção ou de especulação, mas é importante que isso esteja bem claro.

CERTIFICADO DE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS

Com as taxas de juros relativamente baixas, a diversificação e a procura por produtos diferenciados vem aumentando.

Um dos produtos mais recentes no mercado brasileiro é o COE, mais uma sopinha de letrinhas que quer dizer Certificado de Operações Estruturadas.

O COE é uma mistura de renda fixa e renda variável,  não é tão complexo quanto parece, mas é necessário entender que tipo de COE você está investindo, que pode ser bolsa, câmbio e outros índices. Existem 2 tipos de COEs:

  • Capital Garantido

Aqui você nunca perde o que investiu. Na pior das hipóteses você resgata o que investiu.

 

  • Capital de Risco

Nesse caso você pode perder o que investiu, ficar com zero mas não fica negativo, perde tudo o que investiu.

 

Exemplo de operação

Um COE pode oferecer 130% da alta do dolar com capital garantido. Você investe 10 mil reais, o dolar está a 3,65 por um prazo de 2 anos, com limite de alta de 10% (esse ponto é importante pois existe um limitador para o ganho).

Caso o dolar fique abaixo de 3,65, após 2 anos você resgata os 10 mil reais.

Caso o dolar fique acima de 3,65, você pode resgatar 11.300 reais (ganho máximo).

Vantagens

– sensação de segurança

– opção de renda variável sem correr muito risco

Desvantagens

– baixa liquidez, na maioria dos casos você não consegue resgatar antes do prazo de vencimento

– rendimento máximo, existe um teto de ganho que nem sempre é vantajoso dado que você está investindo em um ativo de risco que o interessante seria ganhar com esse risco que você está correndo.

Portanto é uma avaliação que precisa ser feita com cautela pois dependendo do cenário, vale mais a pena ter um ganho de renda fixa que deixar de ganhar o rendimento do período, ou se for para correr risco, ganhar todo o ganho sem limitação.

Quem pode emitir? Quem registra?

Somente bancos podem emitir COE, mas as corretoras podem distribuir. As operações ficam registradas na B3 (antiga CETIP).

Investimento mínimo

Depende de cada instituição, mas normalmente a partir de R$ 1.500,00 já é possivel investir no COE.

 

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Cheque especial, vale a pena parcelar?


Recentemente o Conselho de Autorregulação da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) anunciou que a partir de 1º. de julho entra em vigor medida que teoricamente fará reduzir o custo do crédito e melhorará o uso do cheque especial pelo cliente.

Tal medida diz que: consumidores com mais que 15% do limite do cheque especial comprometido por 30 dias consecutivos terão acesso a uma linha de crédito mais barata para parcelar o valor, parecido com o que existe no caso de cartão de crédito.

O cheque especial é uma linha de crédito das mais caras do mercado, junto com o rotativo do cartão de crédito. Em fevereiro deste ano, a média cobrada pelos bancos foi de 324,1% ao ano, segundo dados do Banco Central.

Na prática isso muda alguma coisa para o cliente final? Não, é apenas um paliativo pois as taxas do cheque especial continuarão altas. Mesmo antes desta medida, o cliente já tinha outras opções de crédito mais barata, o que muda agora é que o banco irá oferecer de forma pró-ativa uma taxa mais barata após os 30 dias para o parcelamento da dívida.

Lembro que o cheque especial é uma linha de crédito que deve ser usada somente em caso de emergência e por um período muito curto, até 10 dias no máximo. É uma linha cara por estar à disposição do consumidor a qualquer momento, sem necessidade de solicitação e aprovação, o que explica seu preço.

A educação financeira e o uso correto de cada linha de crédito é que ajudará o consumidor final. O parcelamento é mais uma linha de crédito que será oferecida, não é a solução para o problema, ela simplesmente ameniza a dívida por ser uma taxa mais barata que a taxa do cheque especial.

A frase do presidente da Febraban, Murilo Portugal, exemplifica bem o uso de cada linha de crédito e compara o cheque especial ao taxi: “No dia a dia, as pessoas usam onibus, mas em casos especiais usam taxi. Ninguém usa o taxi para ir ao Rio de Janeiro, vai de onibus.”

Exatamente nessa linha, deve-se evitar entrar no cheque especial. É fundamental o controle financeiro das entradas e saídas de caixa, assim como a reserva de emergência, que é um investimento de curto prazo, com risco baixo e que pode ser usado em uma eventual emergência, eliminando assim o uso do cheque especial.

 

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FUNDO MULTIMERCADO É BOA OPÇÃO COM QUEDA NOS JUROS

A última reunião do Copom derrubou mais um pouco a taxa básica de juros, a Selic, para 6,5% aa, o menor patamar histórico.

Com isso, o investidor é empurrado a assumir mais risco para ter um ganho maior em suas aplicações. Uma das alternativas bastante atraentes é o fundo multimercado, que além de apresentarem expectativas melhores de rentabilidade, por si só já é um produto diversificado.

O movimento de migração para os multimercados  começou em 2017, quando teve a maior captação líquida da indústria de fundos  de 96,9 bilhões de reais, volume quatro vezes maior que em 2016, segundo a Anbima, associação que representa as entidades do mercado de capitais no País.

Estes fundos representam uma boa opção para aquele investidor considerado conservador, que está acostumado a ter quase a totalidade de seus investimentos em renda fixa. Ele fica no meio do caminho, entre renda fixa e ações. Lembrando que parte do dinheiro, aquele destinado ao curto prazo, deve continuar em renda fixa. Essa opção é para o dinheiro que será usado no médio/longo prazo.

Nessa transição é importante estar atento a alguns pontos:

  • Tipo de fundo multimercado

 

A principal característca desse fundo é a possibilidade de mesclar aplicações de vários mercados, como renda fixa, ações, câmbio, entre outros.

Por ser uma classe de fundo com muita flexibilidade, é importante ler o prospecto e entender sua política de investimento e seu nível de risco, que pode variar entre  moderado e agressivo (as vezes até mais arriscados que ações). Esse risco citado é o do fundo ter uma performance abaixo do esperado ou até negativa em um mês.

 

  • Gestor

A escolha de uma boa gestora também deve ser levada em consideração, pois dada a liberdade que existe para administrar os investimentos, uma equipe boa normalmente terá as melhores estratégias para alcançar uma rentabilidade acima da média. Olhando o histórico do fundo você consegue ver se existe consistência nos resultados, essa é uma boa forma de escolha.

 

  • Estratégia

O gestor do fundo pode escolher inúmeras estratégias, mas para aqueles investidores que estão iniciando suas aplicações nesses fundos, o ideal é escolher aqueles com estratégia “Macro”, onde o gestor do fundo analisa o ambiente macroeconômico do fundo para investir em ações, títulos públicos, títulos de crédito privado, moeda estrangeira ou no mercado futuro, por exemplo. Basicamente, escolhe os melhores ativos de acordo com o momento.

 

  • Taxa de volatilidade

Essa taxa é um percentual que mostra o quanto o retorno de um fundo por variar, para cima ou para baixo, da média de rentabilidade.

Quanto maior for a volatilidade, mais forte é a montanha russa, maior o sobe e desce no curto  prazo, mas maior a chance de ter retornos mais altos. Vale começar com volatilidade baixa e testar o estômago.

 

  • Taxa de administração e performance

Estes fundos contam normalmente com 2 taxas:

– taxa de administração: remuneração fixa paga pela prestação de serviços de gestão e administração do fundo.

– taxa de performance: remunera o bom desempenho do fundo, se ele alcançar determinado índice de desempenho, chamado de benchmark. Essa taxa é cobrada sobre uma parcela da rentabilidade do fundo.

 

  • Liquidez

A liquidez de um fundo é o prazo que ele demora para depositar o resgate na sua conta corrente a partir do dia em que você solicita.

Normalmente estesfundos variam de 30 a 180 dias para pagar o resgate. Vale lembrar que estes fundos devem ser investimentos de médio a longo prazo, ou seja, de, no mínimo, três anos.  Não conte com o dinheiro no curto prazo, para emergências.

Nem sempre essa escolha é trivial, portanto, caso tenha alguma pergunta, fique à vontade em nos enviar.

 

A IMPORTÂNCIA DO FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO

Com as taxas de juros caindo, o movimento natural das pessoas é buscar investimentos com mais risco, tanto de renda fixa quando renda variável.

Uma das coisas importantes a conhecer  antes de se aplicar em títulos de renda fixa com maior risco é o Fundo Garantidor de Crédito.

O que pouca gente sabe é que o FGC, como é conhecido, é uma associação de natureza privada sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores e permite recuperar os depósitos ou créditos mantidos em instituição financeira, até determinado valor, em caso de intervenção, de liquidação ou de falência.

Um mito muito comum é achar que a caderneta de poupança é garantida pelo governo. Não é. Ela é garantida pelo FGC (no limite estabelecido) assim como outros títulos listados abaixo. Ou seja, o risco de se ter uma caderneta de poupança em uma instituição é o mesmo risco de ter um CDB.

Veja quais são os investimentos cobertos pelo FGC:

  • depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;
  • depósitos de poupança;
  • depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado (CDB/RDB);
  • depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques, destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
  • letras de câmbio;
  • letras imobiliárias;
  • letras hipotecárias;
  • letras de crédito imobiliário;
  • letras de crédito do agronegócio;
  • operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos após 08.03.2012 por empresa ligada.

Resumindo:  garante depósitos e letras (com exceção de letras financeiras). Não garante ações nem fundos de investimento.

Em 21 de dezembro de 2017, O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma alteração que estabelece teto de R$ 1 milhão, a cada período de 4 anos, para garantias pagas para cada CPF ou CNPJ.

A contagem do período de 4 anos se inicia na data da liquidação ou intervenção em instituição financeira onde o investidor detenha valor garantido pelo FGC, sendo que permanece inalterado o limite da garantia de R$ 250 mil por CPF/CNPJ e conglomerado financeiro.

 

 

Veja as mudanças feitas a partir de dezembro abaixo:

Como era Como ficou
Garantia de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ e conglomerado financeiro, em depósitos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos e emitidos por instituições associadas à entidade. Limite permanece inalterado.
Não havia teto para garantia paga pelo FGC por CPF​ ou CNPJ em qualquer período. Teto de R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ, a cada período de 4 anos,​ para a garantia paga pelo FGC.
Investidores não-residentes não contavam com a garantia do FGC. Investidores não-residentes passam a contar com a garantia, para investimentos elegíveis.

 

Para as contas conjuntas, o FGC permance o pagamento por conta.

Por exemplo, o titular de uma conta conjunta no valor de R$ 500 mil. Cada titular receberá R$ 125 mil do FGC, dado que existe o limite por conta de R$ 250 mil. O valor total de R$ 1 milhão terá o limite de cobertura global reduzido para R$ 875 mil enquanto não se completar o período de 4 anos.

Por que é importante conhecer os valores e regras? Pois em caso de diversificação de investimentos, principalmente em papéis com maior risco, vale colocar até o limite coberto pelo FGC no caso de uma intervenção, liquidação ou falência da instituição financeira.

Caso tenha alguma pergunta, fique à vontade em nos enviar.

Esse texto faz parte do relatório executivo da GO Associados de 26/02/18

Porque a bolsa caiu e porque isso pode não significar uma reversão de tendência.

Essa semana o mercado internacional tomou um susto com a queda generalizada das bolsas de valores do mundo puxadas, pela queda histórica do índice Dow Jones americano que caiu 4,6%. Esta foi a maior queda em um só dia desde 2011.

As razões para essa queda derivam dos números mais positivos para a economia americana, que aumentaram a probabilidade de uma alta dos juros americanos possivelmente mais expressiva e mais rápida do que se previa. Com juros mais altos, a atratividade do investimento em ações de empresas fica menor, entre outras razões pela expectativa de resultados financeiros menores dessas empresas no futuro, e assim há uma queda no mercado de renda variável como um todo. Esta abordagem fez parte da minha participação no programa Conta Corrente da Globonews da última terça-feira. (http://g1.globo.com/globo-news/conta-corrente/videos/t/todos-os-videos/v/apos-forte-tombo-bolsas-de-nova-york-e-de-sao-paulo-fecham-em-alta/6481495/).

Mas aqui eu gostaria de abordar dois outros fenômenos. O primeiro é a diminuição no apetite a risco mundial. Nos últimos anos, tivemos os bancos diminuindo mais e mais suas áreas de trading e o que chamamos áreas proprietárias. Que entre outras coisas, tinham limites de risco definidos para fazerem apostas em determinados ativos com o dinheiro dos Bancos. Bem, pós 2008, essas áreas foram quase extintas e as poucas que restam podem assumir um risco muito menor do que antes. Uma das principais razoes para isso foram as regulamentações americanas (Dodd-Frank e Volker Rules) que aumentaram em muito o capital requerido dos bancos para fazerem essas operações e também implementaram a necessidade de vários controles que aumentaram os custos relativos à essas áreas.

Outro fenômeno se passou na indústria de fundos, onde nos últimos anos tivemos uma migração enorme de fundos ativos para fundos passivos. A grande diferença entre esses dois tipos é que o passivo tem por política e objetivo apenas acompanhar um determinado índice, ao passo que o ativo tem apetite e limite de risco para tentar superar a rentabilidade desse benchmark ou índice.

Quando juntamos esses dois acontecimentos nos deparamos com uma menor quantidade de especuladores no mercado. Ou seja, há menos fundos e tesourarias de bancos com limites de risco para comprar um determinado ativo quando achar que ele está barato e vender quando achar que está caro. Se a presença de especuladores no mercado colabora para amortecer os impactos, sua ausência significa que movimentos mais bruscos podem ser esperados.

Isso que descrevi acima ainda não pode ser notado estatisticamente, ou pelo menos não vi estudo recente (e teria que ser realmente recente, dado que esse processo é cumulativo) mas não tenho dúvidas de que isso está ocorrendo.

Outro aspecto que queria abordar é a importância do papel do planejador financeiro nesses momentos de volatilidade, e aqui temos estudos que mostram isso claramente. Uma das principais formas que os planejadores financeiros podem agregar valor na gestão de investimentos é não deixando que os vieses de comportamentos que todos nós temos ocorram em momentos de alta volatilidade dos ativos. Estudos do mercado americano demonstram que o fato de a pessoa não entrar em pânico e zerar suas posições nesses

O impacto do início do ano

IPTU, IPVA, DPVAT, matrícula na escola, matrícula na faculdade, clube, carnaval, férias. Os custos de início de ano apareceram e se você perder o controle desses gastos ou não se programou para isso, as chances de passar o ano inteiro pagando essas contas são grandes.

Fazer o orçamento do ano ajuda nesse planejamento, muitas das despesas periódicas ocorrem no início do ano, mas vale colocar no papel seus gastos para não ter um susto lá na frente. Algumas despesas anuais recorrentes são:

  • Os impostos anuais (imposto de renda, IPVA, DPVAT, IPTU, etc)
  • Despesas profissionais (CREA, COREN, CRP, demais entidades de categorias diversas)
  • Despesas com seguros (vida, carro, habitacional)
  • Despesas escolares (matrícula, material, vestibular)
  • Despesas com lazer (férias, carnaval)

O planejamento evita incorrer em endividamento para se pagar essas despesas. Para isso, avalie no ano anterior quanto você gastou nessas despesas e já reserve o valor para o ano seguinte, além de uma reserva de emergência para qualquer imprevisto que possa ocorrer.

Se não deu tempo de se programar para o início deste ano, avalie todos os gastos do mês e corte o que não for necessário para que você possa pagar essas despesas sem precisar recorrer a empréstimos, deve-se fazer uma hierarquia de gastos e priorizar os essenciais e urgentes.

Outro ponto importante é avaliar se vale a pena pagar a vista ou parcelar essas despesas anuais. Se você tem dinheiro para pagar à vista, essa opção será melhor desde quea a taxa de desconto seja maior que 6%. Taxas inferiores a essa é necessário avaliar além da taxa, a quantidade de parcelas.

IPVA, IPTU dão descontos para pagamento à vista. Escolas também dão opção de pagamento adiantado.

Para iniciar um ano tranquilo com suas finanças, comece logo agora a se planejar, pesquisar e sempre buscar melhores opções.

Como se preparar para 2018

2018 será um ano ainda com bastante incerteza no cenário político e consequentemente no cenário econômico.

Em termos de finanças pessoais, devemos ter um olhar na parte de investimentos e outro no orçamento, o dia a dia.

Na parte de investimentos convém ser mais conservador diante desse cenário, como já falamos anteriormente, priorizar risco baixo.

No orçamento, a recomendação não é muito diferente, o ideal é não extrapolar, controlar os gastos frente a receita. Quando falamos em cortar despesas, normalmente não trabalhamos de forma consciente e a primeira coisa a querer cortar é o lazer.

Vamos com calma, afinal, qualidade de vida é importante para seu bem-estar. Sendo assim, por onde começar e o que fazer?

Antes de mais nada, o primeiro passo é o planejamento, entender como e onde estão seus gastos antes de sair cortando, classificando por grupos para facilitar a avaliação. O lazer deve ser um dos grupos, assim como alimentação, educação, saúde, transporte, moradia, etc. Esses grupos acabam dependendo um pouco do estilo de vida de cada um. O que importa é que te dê uma boa noção de onde estão seus gastos.

O segundo passo é fazer o orçamento, determinar valores para estes grupos de gastos. O objetivo aqui é que sobre dinheiro no final do mês para você investir para alcançar seus objetivos. A conta não pode terminar no zero a zero, deve-se obrigatoriamente sobrar dinheiro.

O ideal é que a avaliação no corte de gastos seja feita em família, pois isso deve impactar a todos na casa. Quando o tabu de falar de finanças é quebrado, os objetivos tendem a ser alcançados com mais facilidade e mais rapidamente.

Discutir finanças em família pode ser um dos motivos de aproximação, assim como escolher programas gratuitos de lazer e programas caseiros.

Use o planejamento financeiro familiar como uma forma divertida de rever a vida, buscando usar a criatividade sem comprometer a qualidade de vida.

Você verá que não é tão dificil assim, faça um 2018 criativo, sem que os gastos com superfluos e passeios no shopping sejam parte de sua rotina.

O QUE ESPERAR PARA O PRÓXIMO ANO

Fernanda Rogozyk[1]

Gustavo Cunha[2]

Ricardo Trindade[3]

Com 2017 chegando ao fim, algumas incertezas serão levadas para 2018, como a reforma da Previdência e a reforma tributária, o que deverá alterar os cenários para os investimentos. Sem contar que será um ano de eleições que seguramente influencia o comportamento dos mercados.

A aprovação da reforma da Previdência é essencial para que os juros sejam mantidos em patamares baixos. Um revés nessa aprovação pode acarretar maior volatilidade e impacto na trajetória de queda tanto da inflação quanto da taxa de juros, aumentando as incertezas.

Neste ano, a Selic caiu à sua mínima histórica, 7% ao ano, e a inflação, sob controle, fecha o ano abaixo de 3%, piso da meta do Banco Central. Uma nova queda pode ocorrer em fevereiro de 2018, conforme sinalizado pelo Copom, dependendo, contudo, da aprovação da reforma da Previdência.

Mas, ao contrário de 2017, no próximo ano o BC não terá tanto espaço para cortes na taxa de juros.

A queda das taxas de juros impacta diretamente os investimentos dos brasileiros. Parte dos investimentos em renda fixa perde seu atrativo e deixa de ser um ganho fácil (praticamente sem risco), como vinha acontecendo nos últimos anos. Um exemplo são os fundos de investimento de renda fixa com taxa de administração acima de 1%. Caso sejam resgatados em prazo inferior a seis meses, perdem em rentabilidade até mesmo para a caderneta da poupança.

Isso não quer dizer que a poupança seja o melhor investimento, longe disso. Mas, a partir de agora, deve-se prestar mais atenção em quais produtos investir e buscar a diversificação. Diante desse cenário, bastante incerto, a cautela é fundamental.

Para os recursos de curto prazo, a renda fixa ainda é interessante, como CDBs de pequenos bancos (limitado à garantia do FGC de R$ 250 mil reais por CPF), fundos com taxas abaixo de 1% e o Tesouro Selic. Para o médio e longo prazo, a diversificação é essencial, evitando concentrações em riscos elevados.

A diversificação implica em manter parte dos recursos em renda fixa, como os títulos de Tesouro indexados à inflação (NTN-B), fundos imobiliários, debêntures de infraestrutura, os CDBs dentro dos limites do FGC e parte em outros ativos não correlacionados, como fundos multimercados, que já contam com a diversificação em suas carteiras, renda variável e criptomoedas.

Com relação à Bolsa de Valores, o ano eleitoral promete muita volatilidade. A provável condenação do ex-presidente Lula e o número elevado de candidatos aumentam mais a incerteza em relação ao resultado do pleito, ou seja, a eleição será o divisor de águas para o mercado financeiro.

Por outro lado, a imprevisibilidade pode abrir algumas janelas de oportunidades. Alguns segmentos que foram penalizados pela crise nos últimos anos configuram-se como boas apostas para 2018, como varejo, infraestrutura e saneamento. Outros setores interessantes para alocação de capital de risco seriam algumas empresas do setor elétrico e algumas small caps, que são empresas de baixa capitalização ou valor de mercado.

Por fim, mas não menos importante, 2017 se mostrou o ano em que o mundo tomou conhecimento e começou a investir em uma nova categoria de investimentos: as criptomoedas, onde o maior expoente dessa categoria é o Bitcoin. Esses novos ativos claramente vieram para ficar, e começar a investir para entender e se aproveitar da valorização que eles terão deve estar nos planos de qualquer investidor para 2018.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

Texto é parte integrante do Relatório Executivo da GO Associados, de 18/12/17

[1] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados.

[2] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados

[3] Consultor especial da GO Associados e Colaborador da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados.