O QUE ESPERAR PARA O PRÓXIMO ANO

Fernanda Rogozyk[1]

Gustavo Cunha[2]

Ricardo Trindade[3]

Com 2017 chegando ao fim, algumas incertezas serão levadas para 2018, como a reforma da Previdência e a reforma tributária, o que deverá alterar os cenários para os investimentos. Sem contar que será um ano de eleições que seguramente influencia o comportamento dos mercados.

A aprovação da reforma da Previdência é essencial para que os juros sejam mantidos em patamares baixos. Um revés nessa aprovação pode acarretar maior volatilidade e impacto na trajetória de queda tanto da inflação quanto da taxa de juros, aumentando as incertezas.

Neste ano, a Selic caiu à sua mínima histórica, 7% ao ano, e a inflação, sob controle, fecha o ano abaixo de 3%, piso da meta do Banco Central. Uma nova queda pode ocorrer em fevereiro de 2018, conforme sinalizado pelo Copom, dependendo, contudo, da aprovação da reforma da Previdência.

Mas, ao contrário de 2017, no próximo ano o BC não terá tanto espaço para cortes na taxa de juros.

A queda das taxas de juros impacta diretamente os investimentos dos brasileiros. Parte dos investimentos em renda fixa perde seu atrativo e deixa de ser um ganho fácil (praticamente sem risco), como vinha acontecendo nos últimos anos. Um exemplo são os fundos de investimento de renda fixa com taxa de administração acima de 1%. Caso sejam resgatados em prazo inferior a seis meses, perdem em rentabilidade até mesmo para a caderneta da poupança.

Isso não quer dizer que a poupança seja o melhor investimento, longe disso. Mas, a partir de agora, deve-se prestar mais atenção em quais produtos investir e buscar a diversificação. Diante desse cenário, bastante incerto, a cautela é fundamental.

Para os recursos de curto prazo, a renda fixa ainda é interessante, como CDBs de pequenos bancos (limitado à garantia do FGC de R$ 250 mil reais por CPF), fundos com taxas abaixo de 1% e o Tesouro Selic. Para o médio e longo prazo, a diversificação é essencial, evitando concentrações em riscos elevados.

A diversificação implica em manter parte dos recursos em renda fixa, como os títulos de Tesouro indexados à inflação (NTN-B), fundos imobiliários, debêntures de infraestrutura, os CDBs dentro dos limites do FGC e parte em outros ativos não correlacionados, como fundos multimercados, que já contam com a diversificação em suas carteiras, renda variável e criptomoedas.

Com relação à Bolsa de Valores, o ano eleitoral promete muita volatilidade. A provável condenação do ex-presidente Lula e o número elevado de candidatos aumentam mais a incerteza em relação ao resultado do pleito, ou seja, a eleição será o divisor de águas para o mercado financeiro.

Por outro lado, a imprevisibilidade pode abrir algumas janelas de oportunidades. Alguns segmentos que foram penalizados pela crise nos últimos anos configuram-se como boas apostas para 2018, como varejo, infraestrutura e saneamento. Outros setores interessantes para alocação de capital de risco seriam algumas empresas do setor elétrico e algumas small caps, que são empresas de baixa capitalização ou valor de mercado.

Por fim, mas não menos importante, 2017 se mostrou o ano em que o mundo tomou conhecimento e começou a investir em uma nova categoria de investimentos: as criptomoedas, onde o maior expoente dessa categoria é o Bitcoin. Esses novos ativos claramente vieram para ficar, e começar a investir para entender e se aproveitar da valorização que eles terão deve estar nos planos de qualquer investidor para 2018.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

Texto é parte integrante do Relatório Executivo da GO Associados, de 18/12/17

[1] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados.

[2] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados

[3] Consultor especial da GO Associados e Colaborador da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados.

BLOCKCHAIN – A nova vedete do mercado

Gustavo Cunha[1]

Blockchain é a nova vedete do mercado. Atualmente é quase impossível conversar com alguém sobre futuro, inovação ou tecnologia, sem esbarrar nessa palavra. Outro sinal claro disso está sendo a difusão de eventos sobre o tema; estive em cinco nesses últimos meses. Mas o que é blockchain? Para que serve? É isso o que explicarei a seguir.

Para começar, vamos ver de onde ele surgiu. O blockchain é a tecnologia por trás da criptomoeda Bitcoin, cuja negociação, interesse e preço têm crescido exponencialmente nos últimos anos. Desta forma, a primeira aplicação do blockchain foi para viabilizar transações monetárias entre desconhecidos de maneira segura e sem uma contraparte central para garantir as operações.

Explicando de maneira simples, o blockchain é um grande banco de dados monitorado por vários computadores. As operações são gravadas em ordem cronológica e depois de gravadas não se consegue alterá-las. Trata-se um “protocolo da confiança” que tem na descentralização e na imutabilidade dos dados sua segurança.

Uma vantagem do blockchain é o fato dele ter uma atitude preventiva, e não reativa, em relação às fraudes. Para que a transação ocorra por meio do blockchain, temos de concordar com suas características e checar, entre outras coisas, sua validade, de tal forma que se a operação é registrada é porque foi validada. Hoje, no caso de cartões de crédito, por exemplo, primeiro as operações são registradas para depois serem canceladas caso ocorra alguma coisa errada.

As utilizações do blockchain são inúmeras, e são tão mais eficientes quanto mais usuários precisarem trocar informações. Na área médica, por exemplo, será possível guardar todas as informações relativas ao histórico de saúde de uma pessoa, como exames, vacinas, procedimentos e diagnósticos, em uma conta pessoal única, facilitando assim o acesso aos dados pelos médicos a qualquer momento.

Outra utilização será o registro de imóveis, pois o bem poderá ser registrado dentro de um blockchain, fazendo com que seja desnecessário se ter um cartório atestando a propriedade do imóvel. Podemos ainda mencionar a Bolsa de Valores, bancos e até o Uber e o Airbnb. Ou seja, sua grande utilização vem do fato da descentralização, associada à imutabilidade dos registros no banco de dados, tornarem desnecessária a existência de intermediários.

Parece uma coisa magnífica, e eu realmente acho que é, mas ela traz, como tudo, alguns pontos de atenção. O primeiro é uma mudança na nossa forma de pensar; hoje temos todos nossos bens custodiados/garantidos por um intermediário, seja banco, corretora, bolsa, cartório de imóveis etc. Caso ocorra algum problema, recorremos a eles e pronto. No caso de estruturas de blockchain não há um terceiro responsável. Toda a responsabilidade passa para o usuário o que pressupõe uma necessidade grande segurança digital para ele. Por outro lado, há aqui também um maior empoderamento do indivíduo, já que esse terá todas suas informações e as dará para quem ele quiser.

Outro fator é que a nossa estrutura jurídica, que assim como nossa forma de pensar, está baseada em uma contraparte central, ou se preferir, um intermediário. A quebra de barreiras entre países e, mais precisamente no caso das criptomoedas, a não existência de uma contraparte central onde as operações sejam registradas e possam ser visualizadas, taxadas e controladas, são outro ponto de atenção importante.

Acho que ficou claro que sou um entusiasta dessa tecnologia, e acredito que ela mudará significativamente o cenário financeiro, econômico, tecnológico e transacional nos próximos anos, fazendo com que tenhamos uma economia muito menos centralizada e com um empoderamento enorme das pessoas no controle das suas vidas. Também acredito que esse processo que começou agora é irreversível, e que quanto menor a intervenção do estado na sociedade, maior e mais rápida será a sua transformação.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

 

[1] Sócio da FinLab/Bom de Bolso

Texto publicado no relatório executivo da GO associados de 04/dez/2017

Vale a pena o benefício fiscal do PGBL?

Fernanda Rogozyk[1]

A resposta é sim!

O final do ano está chegando e para quem não investiu em PGBL esse ano, agora é o momento.

O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) é um plano de previdência privado e uma opção de investimento para quem faz a declaração completa do imposto de renda, já que suas contribuições permitem a dedução de até 12% da renda bruta anual tributável. O valor investido deve ser informado no imposto de renda.

Como funciona?

Supondo que a pessoa tenha R$ 100.000,00 de renda anual tributável e investiu o limite máximo permitido para dedução de 12%, ou seja, R$ 12.000,00.

Se ela não tivesse feito o PGBL, pagaria 27,5% sobre R$ 100.000,00. Com o PGBL, ela paga 27,5% sobre R$ 88.0000,00 (R$ 100 mil – R$ 12 mil).

Quadro 1: Com PGBL x Sem PGBL

  Sem PGBL Com PGBL
     
Renda annual 100.000,00 100.000,00
Deduções 12.000,00
Renda tributável 100.000,00 88.000,00
Alíquota de IR 27,50% 27,50%
IR pago 27.500,00 24.200,00
     
  Ganho de R$ 3.300  
     

Elaboração própria.

Esse ganho de R$ 3.300 não siginifica que você deixará de pagar impostos no PGBL. Na verdade, você adia esse pagamento, uma vez que a cobrança de IR no PGBL ocorre no resgate sobre o valor acumulado: contribuições mais rendimento.

Ainda assim, você poderá ter ganhos fiscais, dependendo da tabela de imposto de renda escolhida, que pode ser progressiva ou regressiva:

Tabela regressiva: a alíquota de IR pode chegar a 10% caso você deixe o dinheiro investido por 10 anos. Nesse caso, além do adiamento, o pagamento será em uma alíquota mais baixa.

Tabela progressiva: o resgate pode ser de valores inferiores da tabela e a alíquota ser mais baixa.

Outro ponto importante é que esse valor que você deixa de pagar para o governo agora será investido e te proporcionará rendimentos futuros.

O passo seguinte é escolher o plano onde investir.

  • Escolha um que não cobre taxa de carregamento, pois isso impactará na rentabilidade de seu investimento.
  • A escolha do fundo dependerá de seu perfil e o quanto tempo você deixará o dinheiro aplicado. A taxa de administração também deve ser comparada entre as opções. Hoje existem fundos bem competitivos.

Aproveite a oportunidade de benefício fiscal e comece a investir em seu próprio futuro, pode ser uma maneira de começar um plano de previdência.

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Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 21/11/2017

[1] Sócio e Fundador da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégico da GO Associados.

BITCOIN, NÃO COMPROU AINDA?

Gustavo Cunha[1]

Quanto mais o Bitcoin sobe, mais gera curiosidade e mais gente acaba comprando. Já cheguei até ver artigos comparando-o com os bens de Giffen, que é uma categoria econômica de bens onde quanto maior o preço maior a demanda. Por outro lado, grandes investidores se mostram bastante preocupados com o fato do Bitcoin não parar de subir o que gera um medo de estar criando uma bolha. Warren Buffet e James Dimon recentemente deram declarações nesse sentido e Dimon, que é presidente mundial do JP Morgan, foi até além, afirmando que o Bitcoin é uma fraude.

Difícil saber se estamos diante de uma bolha ou não, mas vou tentar levantar um ponto interessante sobre o Bitcoin e que poucos investidores têm notado. O Bitcoin é um excelente ativo para diversificação de carteira. Explico. Diversificação está intimamente ligada a diminuição de risco. Segundo as teorias de alocação de portfólio, onde a mais conhecida é a da fronteira eficiente, um novo ativo deveria sempre ser considerado se agregasse em termos de diversificação, ou seja, que se a carteira anterior à colocação desse ativo tivesse uma volatilidade maior do que a carteira após a colocação desse ativo.

Não é preciso muita matemática ou estatística para ver no gráfico abaixo que o bitcoin é bem descorrelacionado dos ativos locais brasileiros, como bolsa e o câmbio (R$/US$). Um bom exemplo foi o mês de novembro/2016, onde o Ibovespa caiu e o Bitcoin subiu. Outro exemplo no sentido contrário encontramos no mês de setembro/2017. Isso, sem contar dias específicos, como o dia da delação da JBS, onde tivemos um movimento significativo do câmbio e do Ibovespa e o Bitcoin nem se alterou. Se rodarmos modelos de correlação isso fica bastante evidente.

Minha visão é que quem acha que o Bitcoin pode ser uma bolha não viu ainda o potencial de alta desse ativo à medida que os gestores de dinheiro do mundo começarem a alocar nele por conta desse fator de diversificação.

Por fim, mas não menos importante, o White paper do Satoshi Nakamato completou 9 anos essa semana, que também foi marcada pelo anuncio da CME (maior bolsa de derivativos americana) que irá listar entre seus produtos futuros de bitcoins até o fim desse ano.

Quadro 1: Evolução mensal da Ibovespa, câmbio (R$/US$) e Bitcoin

bitcoin

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 6/11/2017

IRRACIONALIDADE INFLUENCIA DECISÕES FINANCEIRAS

Fernanda Rogozyk

“Acompanhei na divulgação do Prêmio Nobel de Economia a questão da economia comportamental. Somos de fato irracionais nas decisões financeiras?”

Sim. O que se tem estudado nos últimos anos é como esses comportamentos influenciam nossas decisões financeiras. Isso tem ganhado tanta relevância que o último Nobel de Economia foi dado a Richard Thaler, economista americano e professor da Universidade de Chicago, justamente por suas contribuições para a economia comportamental.

Sua premissa básica é de que os seres humanos não são sempre racionais e que suas escolhas são baseadas em questões subjetivas e culturais.

Richard analisou as tomadas de decisões financeiras aliadas aos conceitos de psicologia, as limitações da racionalidade e como a falta de autocontrole afeta as decisões individuais.

A teoria clássica de economia que acreditava que com informações disponíveis somos capazes de tomar decisões racionais é desafiada. Uma pessoa não deveria comprar três iogurtes quando só quer um, apenas para ganhar um brinde; deveria economizar durante sua vida para ter uma aposentadoria tranquila; deveria cortar gastos em vez de comprar no cartão de crédito se não tem recursos suficientes para aquela compra.

Fica claro que as decisões não são tão simples assim, e aí entra o conceito de irracionalidade na economia, que trata de questões psicológicas que fazem com que reajamos de uma forma diante de certos estímulos. Por exemplo, uma promoção. Um produto em promoção é percebido como um negócio melhor do que se fosse vendido pelo mesmo preço, mas não em promoção.

Essa irracionalidade acaba tendo um grande impacto financeiro na vida das pessoas.

Mesmo com informações sobre finanças, é difícil para as pessoas mudarem seus comportamentos, muitas vezes, automáticos.  Para isso, Richard acredita que a chave é simplificar o processo de decisão ao máximo. Por exemplo, se investir seu dinheiro é um processo complicado, muito provavelmente você deixará o dinheiro parado em conta até gastar tudo.

Nesse caso acima, por exemplo, sabendo que é necessário simplificar o processo de investimento, podemos optar por uma aplicação programada.

Outro ponto de Thaler refere-se à comparação relativa e absoluta de valores. Normalmente, deixamos levar por percentuais de preços e não por números absolutos. Se um produto de R$ 50 está R$ 10 mais barato em outro lugar, desistimos de comprar, mas, se o produto vale R$ 5.000, compramos, mesmo que o concorrente esteja vendendo por R$ 10 a menos.

São os mesmos R$ 10 que pesarão no bolso, mas reagimos de forma diferente, irracional. Comparamos o tempo que levaremos para procurar ou ir até outro local para efetuar a compra versus o quanto isso representa do produto. Parece óbvio, mas não deixa de ser uma forma irracional já que se trata da mesma quantidade de dinheiro.

Existem inúmeros exemplos e fica praticamente impossível isolar comportamentos irracionais nas tomadas de decisão, afinal esses comportamentos são inerentes aos seres humanos.

Como diz o próprio Richard sobre seu prêmio em dinheiro recebido: “Vou gastar da forma mais irracional possível”. Faça você o mesmo também. Uma ótima semana.

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Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 23/10/2017

 

AS VÁRIAS OPÇÕES NA RENDA FIXA COM A BAIXA DOS JUROS

 

Gustavo Cunha[1]

“Com a queda da taxa de juros, qual o melhor investimento de renda fixa?”

Primeiramente, muito obrigado pela sua pergunta. Minha resposta direta para sua pergunta é: depende. Explico: renda fixa é uma categoria muito ampla, que vai desde fundos DI e Tesouro Selic, que têm baixo risco e baixa volatilidade, até fundos de investimento com títulos de alto risco de crédito na sua carteira e Tesouro IPCA principal, que têm alto risco e podem ter volatilidade similar a algumas ações (renda variável), passando por Letras de Crédito Agrícola (LCAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e debêntures.

Além disso, tudo também depende para que você está guardando o dinheiro. Costumo separar os investimentos em três caixinhas: emergência, aposentadoria e diversas. Na emergência, os investimentos têm que ser de curto prazo e com liquidez imediata.

Na aposentadoria é o oposto. Títulos longos e possivelmente com baixa liquidez, CRIs, CRAs, debêntures e fundos multimercados entram nessa categoria em geral. Os diversos são o meio do caminho, que vai de planos para uma viagem até separar um dinheiro para pagar a faculdade dos filhos. Nesse caso, os investimentos pedem mais para a caixinha emergência ou aposentadoria, dependendo principalmente do prazo para alcançar essa meta e capacidade de poupança.

No caso da “caixinha” de emergência, a recomendação não muda com a queda dos juros, ou seja, fundos DI de baixa taxa de administração, Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária indexados ao CDI. A ideia aqui é ter um dinheiro onde não haja penalidade alguma para sacar caso seja necessário.

Na caixinha de aposentadoria, aqui valeria colocar um pouco mais de risco para aproveitar o cenário benigno que estamos enfrentando e que deve continuar, mas também não muito porque indefinições vindo do campo político com a eleição no ano que vem podem mudar o cenário drasticamente. Aqui, o conselho seria ter uma parcela considerável em fundos multimercado independentes e que já tenham um histórico longo o suficiente para que se possa confiar nas atitudes tomadas pelo gestor em momentos de crise.

Além disso, títulos públicos ou privados de baixo risco atrelados à inflação e fundos imobiliários da categoria “tijolo”, ou seja, fundos que são detentores de imóveis para aluguel, também deveriam fazer parte dessa carteira.

Quanto aos diversos, aqui vai depender da meta, mas minha recomendação é que a alocação seja um misto entre o que se utilizou na emergência e na aposentadoria.

Caso ainda tenha alguma dúvida relativa à resposta acima ou referente a planejamento financeiro, por favor entre em contato pelo: contato@finlab.com.br

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 9/10/2017

[1] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados

PRÉ OU PÓS?

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 25/09/2017

Fernanda Rogozyk[1]

“Com a queda nas taxas de juros, onde é melhor investir?

Para saber onde investir com a queda nas taxas de juros, vale entender, antes de mais nada, a diferença entre papéis prefixados e pós-fixados.

Um investimento é prefixado quando a taxa de retorno do investimento já é conhecida no momento em que você fizer a aplicação. Independentemente do cenário econômico, você garante um percentual de rendimento. Um título pré CDB pode pagar, por exemplo, 10% ao ano. Outros títulos pré que existem: LCI/LCA e Tesouro prefixado.

Por outro lado, um investimento é pós-fixado quando seu rendimento será conhecido no futuro. Normalmente o rendimento é atrelado a um índice, como por exemplo IPCA ou CDI, ou seja, somente após a divulgação da taxa no período, você saberá o rendimento. Aqui também você encontra CDBs, LCIs, LCAs e Tesouro Selic. Afinal, qual é o melhor?

Infelizmente não tem uma resposta padrão. O melhor dependerá das condições de mercado e a própria situação financeira e objetivos do investidor. Ainda assim, o que fazer com a queda das taxas de juros?

Claro que, com a queda da Selic, investimentos de renda fixa tendem a apresentar uma menor rentabilidade, mas continuam sendo bons investimentos, já que a taxa real ainda é alta no Brasil. A tendência nesse cenário é escolher títulos prefixados que garantem uma taxa fixa até o vencimento. O contraponto é que a expectativa de queda já está embutida no preço dos prefixados. Isso significa que só haverá ganho se a queda da Selic for mais que o esperado.

Não existe urgência em trocar todos os investimentos. Neste momento, há de se ter precaução. Lembre-se que cada indivíduo tem objetivos diferentes para o dinheiro e o ideal é diversificar:

Reserva de emergência: investimento equivalente a 6 a 12 meses de gastos: baixo risco e alta liquidez.

Opção de investimentos: Tesouro Selic – mesmo com a trajetória de queda da Selic, para o curto prazo ainda vale a pena. É um dos investimentos mais seguros.

Médio e longo prazo

Opções de investimentos:

Para aposentadoria, o indicado é o Tesouro IPCA, que mantém o poder de compra pois está atrelado à inflação mais uma taxa fixa.

Para demais objetivos:

– Fundos de investimento de renda fixa: a atenção aqui é em relação à taxa de administração, que deve ser no máximo de 1% para valer a pena.

– CDBs:  é uma opção desde que seja pelo menos 95% do CDI.

 Fundos multimercados e de ações: são mais arrojados. É o ideal para diversificar seu dinheiro, pois tem maior potencial de valorização.

Para a diversificação, investimentos mais agressivos são uma ótima opção, mas é importante ter claro que são investimentos de longo prazo, dado a alta volatilidade, e que apenas uma parte de seu dinheiro deve estar em risco, evitando assim, grandes perdas. Aplicações em renda fixa devem sempre fazer parte de sua carteira.

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[1] Sócia da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados

POUPANÇA VOLTA A TER CAPTAÇÃO LÍQUIDA, MAS HÁ APLICAÇÕES MELHORES

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 14/08/2017

Fernanda Rogozyk[1]

“Li essa semana no jornal que a poupança teve captação positiva em julho. Nos últimos meses, tenho lido muita coisa sobre a poupança não ser um bom investimento. Gostaria de saber se vocês indicariam a poupança nesse novo cenário de queda de taxa de juros que está acontecendo. ”

Dúvida do Dr. Fabio Siqueira, advogado

De fato, R$ 2,3 bilhões! Essa foi a captação líquida da caderneta de poupança no mês de julho. É o terceiro mês consecutivo com captação líquida de recursos. O aumento das aplicações ocorreu porque:

1)  Os trabalhadores investiram os recursos do FGTS inativo (foram entregues R$ 42 bilhões das contas inativas aos trabalhadores);

2)  A queda da inflação deu ganho real ao trabalhador.

Isso quer dizer que a poupança é o melhor investimento que tem? Não! Grande parte da população aplica na poupança por desconhecer outros tipos de investimentos com risco semelhante (ou menor) e rentabilidades maiores. O principal concorrente da poupança é o Tesouro Direto.

Para entender as principais características e riscos de cada um, vamos às comparações:

Risco:

Poupança

Aplicação é feita em uma caderneta de poupança de um banco. Aqui temos o risco de o banco quebrar. Se isso ocorrer, o governo não garante seu dinheiro de volta, quem garante é o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), instituição mantida pelos bancos e que garante depósitos na poupança até o limite de R$250.000 por banco e por CPF. Se você tem mais que R$ 250.000 na poupança, terá um problema para reaver seu dinheiro.

Tesouro Direto

O risco aqui é limitado à capacidade de pagamento do Tesouro Nacional, o que hoje representa o menor risco da economia.  Estamos longe do risco de um calote dos títulos pelo governo. Mesmo em uma situação muito complicada, o governo tem outras alternativas antes do calote, como, por exemplo, elevar impostos ou emitir mais moeda para pagar a dívida.

Melhor: Tesouro Direto

 

Rentabilidade

Poupança

O cálculo hoje é TR + 0,5% ao mês, dado que os juros (Selic) estão acima de 8,5% ao ano. Caso estejam abaixo de 8,5% ao ano, TR + 70% da Selic. Ao ano, você receberá 6,16%.

Tesouro Direto

Os títulos que acompanham a taxa Selic são os que devemos comparar. Hoje estão rendendo por volta de 9,25% ao ano, mas cairão à medida que o taxa de juros cair. Mesmo assim, eles rendem perto de 100% da Selic (que é muito próxima ao CDI). Então, se os juros caírem abaixo de 8,5% ao ano, fica ainda mais claro que renderão melhor do que a poupança.

Melhor: Tesouro Direto

Aplicação mínima e liquidez

Poupança

Não há valor mínimo, no entanto, a rentabilidade é computada mensalmente no dia do aniversário. Caso o resgate seja feito antes, o investidor perde a rentabilidade que seria ganha no mês.

Tesouro Direto

É possivel comprar títulos a partir de R$ 30,00. Os títulos têm datas definidas de vencimento, no entanto, o Tesouro Nacional promove recompras diárias desses papéis, podendo ter alguma oscilação no preço conforme o mercado.

Melhor:  Tesouro Direto

Para concluir, podemos dizer que não há justificativa financeira para aplicar na poupança; somente a falta de conhecimento. Que tal começar a ganhar mais dinheiro aplicando em produtos com melhor rentabilidade?

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[1] Sócia da FinLab/Bom de Bolso, parceira estratégica da GO Associados

SOBRE A NOTA DO TESOURO NACIONAL SÉRIE B (NTN-B)

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 31/07/2017

Gustavo Cunha[1]

“Em entrevista ao Valor, em junho, o gestor do Verde, Luiz Stuhlberger, afirmou que hoje metade do fundo está em NTN-B com duration curta. Sou conservador e gostaria de investir cerca de R$ 5.000,00 em renda fixa. Queria saber, considerando os cenários para os juros nos próximos anos, se tal título seria a melhor opção. Para diversificar, que outros títulos seriam boas alternativas?”

Dúvida de Otavio Farias, graduando em Economia pela UFRJ

Otavio, muito obrigado por sua questão. Essa dúvida em relação a que título investir no Tesouro Direto é uma questão que tenho recebido com frequência.

A Nota do Tesouro Nacional série B, ou NTN-B, é um título que rende inflação (IPCA) mais juros. Diferentemente do mercado onde o Fundo Verde atua e compra esses títulos, no caso do Tesouro Direto, que seria onde você compraria, existem dois tipos de NTN-B à venda: a que paga cupom e a que não paga (NTN-B Principal)[2].

As NTN-Bs são títulos recomendados para investimentos com horizontes longos, já que mantêm o poder de compra do valor investido. Como esses títulos são corrigidos pela inflação, em um caso de inflação alta você acaba ganhando mais dinheiro o que faz com que o seu poder de compra seja mantido. Isso se aplica para prazos mais longos, mas não necessariamente para prazos curtos (menos de 12 meses), visto que a inflação tem uma sazonalidade bem definida nos 12 meses do ano.

O que o gestor em questão está fazendo é comprar NTN-Bs de vencimento curto (duration curto), com prazo entre 1 e 2 anos, conforme indica a reportagem. Eu não aconselharia a você comprar esses títulos agora.

Primeiro, por conta da alíquota de imposto de renda para seu investimento, que entre 1 e 2 anos seria de 17,5%, e não os 15% que se tem a partir de 2 anos. Segundo, porque o Tesouro Direto tem somente uma NTN-B à venda que tem prazo inferior a 2 anos, a NTN-B Principal 2019, que está pagando aproximadamente IPCA+4% aa, que é a taxa que esse gestor acreditava que iria render. Ele acertou, e muito provavelmente deve agora estar reduzindo essa operação. Um terceiro argumento é que indico títulos atrelados à inflação somente para objetivos específicos, e sempre atrelados ao longo prazo, como por exemplo, separar um dinheiro para a faculdade dos filhos, aposentadoria ou compra de uma casa.

Sem saber mais sobre qual é o seu objetivo/meta para usar esse dinheiro, minha indicação seria investir em dois outros títulos do Tesouro Direto, o Tesouro Selic (LFT) e o Tesouro Pré-Fixado (LTN), na proporção que você se sentir confortável. Lembrando que a LFT é um título que varia bem menos do que a LTN, e quanto mais você colocar nela mais conservadora sua carteira será.

Tem alguma dúvida sobre seu planejamento financeiro ou investimento? Mande-a para nós! contato@finlab.com.br

Para quem tiver interesse esse é o link da reportagem citada pelo Otavio: http://www.valor.com.br/financas/5014330/o-brasil-e-uma-ilusao-de-otica

[1] Sócio da FinLab/Bom de Bolso, parceiro estratégico da GO Associados

[2] No mercado interbancário só é negociado o título que paga cupom (NTN-B), que é uma parte dos juros pago semestralmente ao detentor do título. A NTN-B Principal tem somente um fluxo de pagamento, em seu vencimento.

BITCOIN, o melhor investimento do mundo nos últimos anos

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 26/06/2017

 BITCOIN, O MELHOR INVESTIMENTO DO MUNDO NOS ÚLTIMOS ANOS

Gustavo Cunha[1]

Estamos em julho de 2012, não tão longe assim! Eu e outros dois amigos decidimos fazer uma aposta para ver quem seria o melhor alocador, ou seja, quem vai fazer o investimento que vai dar a maior rentabilidade após um período de cinco anos. Cada um coloca R$ 100,00 em jogo. Como todos resolveram colocar suas apostas em ativos em dólar, pegamos a cotação da época e decidimos que o investimento seria de US$ 50,00.

O primeiro decide comprar ações da Tesla. Naquela época, era uma empresa que estava começando, mas que tinha por traz o Elon Musk, que entre outras coisas, havia criado o Paypal, uma empresa que em poucos anos tinha passado a casa dos bilhões de dólares em valor de mercado. A ação da Tesla valia por volta de US$ 31,00 cada uma.

O segundo investidor estava muito pessimista com o mundo e resolveu comprar o ativo que todos entendiam ser o melhor em um cenário de catástrofe: o ouro. O ouro naquela época já havia subido bastante por conta das crises financeiras que o mundo estava passando, mas ele acreditava que poderia subir ainda mais. A cotação do ouro naquela data era de US$ 1.600/onça-troy.

O terceiro disse que iria comprar Bitcoin. Hãm? Essa foi a expressão na cara dos outros dois. Há cinco anos, e posso arriscar dizer até hoje, pouco se conhecia/conhece sobre essa “moeda” ou como costumam chamar “cryptomoeda”. Mas, ok. Essa era a aposta dele. Vimos o preço e anotamos. Cada bitcoin custava US$ 6,55.

Cinco anos depois, cá estamos. Alguém tem uma dica de qual foi o melhor investimento?

Vamos começar pelo pior. O ouro. Ele não só não subiu, como caiu muito no período. Estando precificado após cinco anos a US$ 1.266,00/onça-troy. Queda de quase 21%. Ok, o mundo não acabou, e com isso já dava para prever que ele não teria sido um bom investimento.

E o primeiro lugar ficou para? Tesla ou bitcoin? Algum chute?

Bem, a ação da Tesla subiu para US$ 357,00. Uma alta de mais de 11 vezes, ou se preferirem mais de 1.000% de aumento. Surpreendente. Mas mesmo assim perdeu. E vou dizer, perdeu por muito.

O bitcoin subiu para US$ 2.825. Isso mesmo. Foi de US$ 6,55 para US$ 2.825 em cinco anos! Ou seja, pouco mais de 430 vezes ou 43.029%.

Agora pensem nos US$ 50,00 de cinco anos atrás, comprados em bitcoins e mantidos até hoje. Estariam valendo US$ 21.514,89, conforme ilustra o Quadro 1. Nada mal.

Quadro 1: comparação dos investimentos no período de cinco anos

Ativo Investimento (US$) Cotação em jul/12 (US$) 5 anos depois… (US$) Var. (%) Retorno (US$)
Ouro 50,00 1.600/onça-troy 1.266,00/onça-troy -20,9% -10,44
Ação Tesla 50,00 31,00 357,00 1051,6% 525,81
Bitcoin 50,00 6,55 2825,00 43029,8% 21.514,89

Fonte: Dados colhidos pela Finlab. Elaboração GO Associados.

Essa história tem um aspecto particular que foram os ativos escolhidos para serem comprados. Ativos estes que certamente não compõem a carteira da maioria dos investidores que, muito provavelmente, teriam dificuldades até de saber onde comprar. Os três ativos em questão, na época, poderiam ser comprados via bolsas no exterior, ou no caso do ouro já aqui na B3 (antiga BM&FBovespa). Hoje os três podem ser comprados ou vendidos aqui no Brasil, sendo o ouro e a ação da Tesla negociados na B3 e o bitcoin em várias bolsas de cryptomoedas online.

Me lembro até hoje dessa conversa que tive com esses amigos e na última vez que nos encontramos comentamos sobre isso, e o curioso é que nenhum dos três acabou efetivamente aplicando os US$ 50,00 nas opções acima. Bom para o que ia comprar ouro, mas péssimo para o que deixou de comprar bitcoins na época.

O mais peculiar dessa conversa é que o ativo que mais rendeu é relativo a uma “moeda” que não têm país para controlar sua emissão, não existe em papel-moeda, é totalmente digital e com controle de aumento de quantidade dado por modelos matemáticos supercomplexos. Realmente o mundo está mudando e rápido. Temos que ficar mais atentos e antenados do que nunca.

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[1] Sócio da Finlab