Por que se planejar?

Esse texto faz parte do Relatório Executivo da GO Associados de 12/06/2017

 

A partir desta edição, a seção Dicas de Investimento contará com a parceria da Finlab, consultoria que atende pessoas físicas e empresas. Os especialistas da Finlab têm como missão melhorar a qualidade de vida dos indivíduos através de uma relação mais saudável com suas próprias finanças.

E SE…?

Fernanda Rogozyk[1]

E se eu viver até 90 anos? E se a reforma da previdência for aprovada? E se eu perder meu emprego? E se minha empresa quebrar? E se minha casa pegar fogo ou for assaltada? E se eu sofrer um acidente? E se baterem no meu carro? E se meus filhos estudarem em uma faculdade privada?

Os “e se…” são inúmeros, será que você deveria contar com a sorte para todos eles?

A resposta parece óbvia, mas grande parte dos brasileiros conta com a sorte, vive como se não houvesse o amanhã e não se planeja para o futuro.  Segundo dados do INSS, 25% dos aposentados hoje no país trabalham, e apenas 1% tem independência financeira.

O cenário parece assustador, mas há luz no fim do túnel, e a resposta vem de outra questão:  como se preparar para esse cenário?

Se planejando.

Se empresas bem-sucedidas se planejam, atletas profissionais se preparam para competições, o exército se prepara para guerras…. por que você não deveria se preparar para seu futuro?

Essa preparação, ou planejamento como é mais comum chamarmos, passa impreterivelmente por quatro etapas:

  1. entendimento da situação atual;
  2. estabelecimento de metas para o curto e o longo prazo;
  • definição de estratégia para atingi-las;
  1. implementação e disciplina de acompanhamento.

Na etapa inicial, é preciso entender a situação de vida e financeira atual; depois, devem ser estabelecidas metas a serem atingidas, que podem ser das mais simples (juntar dinheiro para fazer uma grande viagem no próximo ano), até as mais complexas (quero ter uma aposentadoria similar ao meu salário ou rendimento atual). Passada essa fase, definem-se as estratégias para se atingir essas metas (economizar 10% dos rendimentos mensais, por exemplo), por último, implementar e acompanhar.

Vale ressaltar que a conscientização de que é necessário se fazer algo é o primeiro passo, e certamente o mais importante, pois ele antecede todo esse planejamento.

Seria ótimo chegar no fim do texto e responder: eu quero viver até os 90 anos (ou mais!), já me planejei para ter um valor aplicado quando minha aposentadoria chegar que me dê tranquilidade financeira e que no curto prazo eu tenha uma reserva de emergência que cubra alguma eventualidade. É o seu caso? Já pensou sobre isso?

Para mais informações sobre a FinLab, acesse: http://www.finlab.com.br/

[1] Sócia da Finlab e CFP®

Cadê o meu emprego?

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Gustavo Cunha

Fui recentemente desafiado por dois amigos a fazer uma previsão de como será o mercado de trabalho em 2030 e, apesar de ser senso comum que as coisas estão mudando em um ritmo intenso, durante minhas pesquisas e reflexões ainda assim me surpreendi com sua velocidade.

Minha primeira sensação ao aceitar esse desafio foi a mesma que sempre tive quando, durante toda a minha carreira, inúmeras vezes me perguntaram para onde iria a cotação do dólar. Sempre dei uma resposta bem fundamentada, baseada em dados macroeconômicos, mas no fundo no fundo eu sempre lembrei de uma frase que dizia que a melhor previsão futura para qualquer moeda é sua cotação atual! Mas, mesmo assim, eu sempre assumi o risco. Se acertei mais do que errei, nem eu sei! Mas vamos lá; mercado de trabalho em 2030.

Primeiro algumas constatações para embasar as previsões.

O mercado de trabalho mundial esta passando por uma revolução tão grande quanto a que aconteceu no final do século XVIII e começo do século XIX, quando a revolução industrial trouxe a primeira noção de que teríamos máquinas substituindo o trabalho humano de forma massiva. E isso realmente ocorreu. Quem não se lembra do filme do Charles Chaplin apertando parafusos que nem um louco?

Este temor na época levou a várias greves e previsões bastante pessimistas quanto ao futuro do emprego. O que vimos, nas décadas seguintes, foi uma mudança radical do mercado de trabalho com uma transição massiva da força de trabalho do setor manufatureiro para o setor de serviços. E isso se intensificou bastante nas décadas mais recentes, quando cada vez mais máquinas e robôs substituíram o trabalho repetitivo das grandes fábricas.

Atualmente estamos presenciando a entrada de novas tecnologias (máquinas, ou robôs se preferir) em setores que historicamente pareciam estar “mais protegidos”. Vou citar dois: o primeiro é o campo médico, no qual uma parceria da IBM (através do seu braço de inteligência artificial IBM Watson) com o hospital Memorial Sloan Kettering está revolucionando o diagnóstico o tratamento doe câncer. Utilizando o banco de dados do hospital e mais centenas de outros trabalhos sobre câncer, o IBM Watson é capaz de diagnosticar o tipo de câncer e sugerir tratamentos de maneira tão ou mais eficaz do que os médicos (para saber mais vale um pulo no site:http://www.ibm.com/watson/health/oncology/). Outro caso é o da indústria automobilística, na qual mais de uma dúzia de empresas está testando tecnologias para automatizar o transporte. E por que não citar o caso do UBER, que veio para revolucionar um setor que parecia bastante protegido que era o de transporte de passageiros via carro nas grandes cidades (taxis)?

Agora, vamos pensar onde podemos chegar com esse desenvolvimento da tecnologia. Uma coisa é bastante certa, a noção de emprego, como temos hoje, dificilmente existirá em 2030. Estou me referindo ao emprego tradicional com horário e endereço fixos, descansos semanais e códigos de vestimentas definidos pela empresa.

A flexibilidade de local de trabalho acredito ser a primeira das grandes mudanças que se intensificarão nos próximos anos. Na área de Fintech, setor no qual estou bastante envolvido recentemente, não é incomum desenvolvimentos serem feitos remotamente, por pessoas de outros estados ou até países.

A segunda mudança que se intensificará é a ideia de se ter um único empregador. Vemos, cada vez mais, profissionais com habilidades específicas trabalhando de forma autônoma. São profissionais que têm uma grande habilidade/conhecimento e “vende” esse conhecimento para várias empresas que dele precisam. Aqui se enquadram consultores, freelancers, coachers, tutores, etc. Para as empresas isso é uma vantagem, já que a parte repetitiva dos trabalhos será sistematizada, através do uso da tecnologia, e para a parte criativa/inovativa ela terá acesso aos melhores profissionais onde e quando quiser, não tendo que arcar com o custo desses profissionais em momentos em que não precisa deles.

Uma terceira mudança, a qual talvez seja a raiz de todas as demais, está no conceito de propriedade, ou seja, de ter para você determinado ativo, que é um conceito que dia após dia está se tornando irrelevante, seja pelos jovens que cada vez menos se interessam em comprar um bem , mas sim ter experiências, ou pela facilidade de acesso a qualquer bem sem que você o tenha. A lista de sites e aplicativos que ajudam nisso é imensa, indo de airbnb, uber até locais de co-woking e até de co-living. Isso muda muito o mercado de trabalho porque a demanda por bens cai imensamente. É só pensar no tempo que o seu carro fica parado para se ter ideia do quanto ineficiente é tê-lo do ponto de vista de uso. Com a demanda por bens caindo, e as industrias mais robotizadas, a imensa queda no número de trabalhadores nesse setor que já está ocorrendo e deve se intensificar.

A quarta mudança diz respeito ao acesso ao conhecimento e à forma de trata-lo/interpretá-lo. Está claro que o conhecimento hoje não é mais uma barreira como era há anos. Eu, por exemplo, que nunca tinha feito nada na web e tenho conhecimento rudimentar de computação, consegui sozinho (tudo bem, não exatamente sozinho, já que tive ajuda de vários vídeos do youtube) colocar um site no ar, bom o suficiente para não passar vergonha! Conhecimento está disponível para quem quiser e a hora que quiser. O diferencial para o mercado de trabalho não será mais ter conhecimento, já que esse virou commodity, mas sim a forma de trabalhar e interpretar este conhecimento, o que eu chamaria de criatividade no sentido amplo. Criatividade para encontrar as melhores soluções para os problemas colocados.

Dito isso, cadê o meu emprego?

Bem, o emprego em 2030 estará disponível de um modo flexível e com vários chefes, embora em menor quantidade, para quem tiver capacidade de criação/interpretação. Isso leva a várias preocupações, como por exemplo, como se encaixará a maioria da população mundial que tem baixo nível de conhecimento, menos acesso à tecnologia e, porque não dizer, menor capacidade cognitiva? Esse cenário levará a uma maior concentração de renda? Qual o papel do estado nesse mundo, se é que ele terá algum papel? Como ficam as relações humanas nesse cenário? Mas estas são perguntas para serem respondidas em outra ocasião!:)

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Links interessantes nos quais me inspirei para escrever esse texto:

— Arturo Bris (IMD) – “Which jobs will disappear in the future? 60% of the jobs which the new generations will do, do not exist yet.”http://kanaalz.knack.be/embed/video/750551 .

https://www.theguardian.com/careers/2016/oct/13/will-jobs-exist-in-2050

— Andrew McAfee: Como serão os empregos do futuro?https://www.youtube.com/watch?v=cXQrbxD9_Ng

— Federico Pistono: Robots Will Steal Your Job, but That’s OK.https://www.youtube.com/watch?v=kYIfeZcXA9U

Herança e os regimes de casamento

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Humberto Karan

Herança e os regimes de casamento

Dando continuidade ao último blog, vamos abordar aqui a questão da herança conforme o regime de casamento.

Antes de continuarmos, vamos esclarecer um conceito importante: a meação, parte do patrimônio que cabe a cada um dos cônjuges. A meação. é a divisão dos bens de acordo com o regime de casamento (em geral 50% de cada).

Uma característica que vale ressaltar nesta situação é que o status à condição de herdeiro do cônjuge não altera a sua condição de meeiro do patrimônio, conforme o regime de casamento. Ou seja, o cônjuge herdeiro sempre fará jus a sua parte do patrimônio que foi construído em conjunto com a esposa ou esposo.

O cônjuge herdeiro somente perderá o direito à partilha de bens em dois casos: divórcio e na separação de fato há mais de dois anos.

Abaixo está como fica a herança em cada um dos regimes de casamento:

Herança e comunhão universal de bens

No caso da comunhão universal de bens, haverá a meação dos bens comuns e particulares mesmo que adquiridos antes do casamento com o cônjuge. Ficam sempre ressalvadas a herança e as doações que nunca se comunicam.

Em caso de falecimento de um dos cônjuges casados em regime de comunhão universal de bens o cônjuge herdeiro não concorre na herança com os filhos e só faz jus à meação.

Ou seja, o marido ou esposa herdeiro, terá a sua parte no patrimônio, mas não herdará nada do cônjuge falecido.

Herança e comunhão parcial de bens

Na comunhão parcial de bens, regime mais comum atualmente, haverá a meação dos bens comuns (metade) adquiridos durante o casamento.  Não entram na meação os bens anteriores ao matrimônio, doações e heranças mesmo que recebidas durante o casamento.

No eventual falecimento de um dos cônjuges casados em regime de comunhão parcial de bens, o cônjuge herdeiro concorre na herança com os filhos somente nos bens particulares do falecido (aqueles adquiridos antes do casamento) e não concorre nos bens comuns, tendo em vista que já tem 50% (meação) destes bens comuns.

Em outras palavras, na comunhão parcial de bens, o cônjuge herdeiro além da sua parte do patrimônio, também terá a parte dos bens particulares (adquiridos antes do casamento) do cônjuge falecido.

Herança no regime de participação final dos aquestos

Aquestos são bens materiais ou propriedades adquiridas por ambas as partes a partir da união de um matrimônio e que o casal acumulou durante a convivência matrimonial.

No caso de casamentos no regime de participação final dos aquestos, haverá a meação dos bens comuns (metade) adquiridos onerosamente durante o casamento.  O cônjuge sobrevivente, após a meação, concorre com os filhos em todo o patrimônio, sejam os bens comuns e bens particulares.

A exemplo do que ocorre com a comunhão parcial de bens, no regime de participação final dos aquestos, o cônjuge herdeiro além da sua parte no patrimônio (meação) também terá direito a herdar a parte restante dos bens do falecido juntamente com os filhos.

Herança e separação total de bens

Em caso de falecimento de um dos cônjuges casados sob o regime de separação total de bens o cônjuge sobrevivente concorre na herança com os filhos em partes iguais. Ou seja, no caso de falecimento de um dos cônjuges, o cônjuge herdeiro tem o mesmo direito que os filhos no caso de herança.

Quando há separação total de bens obrigatória (prevista em lei, por exemplo, para pessoas com mais de 70 anos) o cônjuge só tem direito à meação dos bens comuns adquiridos depois do casamento e não figura na primeira linha de sucessão que é reservada aos descendentes.

 

Saiba escolher o regime de casamento antes de se casar

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Fernanda Rogozyk

Antes do casamento, muitas decisões são tomadas, mas uma delas pode ter um impacto grande no futuro do casal e de suas finanças: o regime de casamento. Portanto, fique atento e entenda o que é melhor para os dois.

Comunhão total (ou universal) de bens

Até 1977 era o regime legal, isso quer dizer que se você não escolhesse outro tipo de regime, era esse o que valia. Hoje não é mais assim, se você quiser se casar sob o regime de comunhão total de bens, precisa fazer um pacto antenupcial.

Nesse caso, todos os bens adquiridos, antes ou depois do matrimônio, tornam-se comuns. Cada conjuge passa a ter 50% do patrimônio do casal.

Comunhão parcial de bens

Esse é o regime legal, se você não eleger um regime, esse será o escolhido. Aqui, o que é sujeito à partilha são os bens adquiridos durante o casamento, exclui os detidos anteriormente.

Além dos bens que cada conjuge já possuia antes de se casar, estão excluidos da comunhão os bens: herdados ou doados por um dos conjuges, uso pessoal, livros, instrumentos de profissão e proventos do trabalho pessoal de cada um.

Por exemplo: Pedro tem bens equivalentes a R$ 100.000,00 adquiridos antes de casar com Ana. Depois do casamento, Pedro adquiriu bens no valor de R$ 500.000,00. Além disso, durante o casamento, recebeu uma herança pelo falecimento de seu pai de R$ 100.000,00. Ana não possui bens.

Se eles se separarem, Pedro ficará com R$ 200.000,00 de seus bens (antes do casamento e herança) e mais R$ 250.000,00, correspondende a metade dos R$ 500.000,00 adquiridos durante o casamento. Ana ficará com R$ 250.000,00.

Detalhe: os frutos da herança devem ser partilhados (ex: aluguel, rendimentos da aplicação).

Separação total de bens

Depende de pacto antenupcial. Todos os bens, inclusive os adquiridos durante o casamento, são incomunicáveis, não haverá nenhuma divisão de bens diante de uma separação.

Participação final de aquestos

É um regime pouco conhecido que passou a viger com o Código Civil de 2002. Depende de pacto antenupcial.

A comunhão alcança bens adquiridos durante o casamento e exclui os anteriormente detidos. A diferença para a comunhão parcial é que neste caso, cada conjuge tem liberdade de gestão de seu patrimônio, não necessitam de consentimento do outro para vender imóvel, diferente da comunhão parcial que o consentimento de ambos é imprescindível.

Separação obrigatória de bens

Indivíduos que se casam com mais de 70 anos são obrigados a casar sob esse regime.

União estável

Pode-se celebrar um contrato de convivência, e se não houver nada escrito, vigora o regime de comunhão parcial de bens, isso quer dizer, que os bens adquiridos onerosamente durante a união são comuns do casal.

Apesar da escolha ser feita antes do casamento, isso não quer dizer que ela não pode ser alterada depois.

Aqui vimos como são separados os bens em cada tipo de regime quando existe um divórcio. No próximo post abordaremos como fica a sucessão ou partilha quando um dos cônjuges falece.

Já te sugeriram trocar seus títulos do Tesouro Direto por outro? Abra o olho!

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Gustavo Cunha

Todos que alguma vez já se interessaram por ver quanto custa operar no Tesouro Direto viram que a taxa do tesouro direto é dividida em duas partes. A parte relativa à BM&FBovespa, que é de 0,30% a.a. e uma taxa da corretora ou banco que varia muito de lugar para lugar, mas a maioria fica na faixa de zero a 0,50% a.a.

O que poucos se atentaram é que, diferentemente da taxa da BM&FBovespa que é cobrada proporcional ao tempo que você deteve o título, a taxa dos bancos/corretoras pelo primeiro ano é cobrada no momento da compra. Só depois de passado 1 ano que você tem o título que as duas taxas começam a ser cobradas usando o prazo que você detem o título.

Por que isso importa?

Imaginem a seguinte situação: uma pessoa comprou título Tesouro Inflação (IPCA) no final de 2015 e em abril de 2016 estava com um ganho de 20%. Essa pessoa resolveu vender esse título e comprar um Tesouro Selic. 5 meses depois, ela resolve vender esses títulos e comprar um Tesouro Pré-fixado que ela leva até o outro ano. Considere também que essa pessoa esteja operando via uma corretora/banco que cobra uma taxa de 0,50% a.a.

Já consegue ver o que aconteceu?

Bem, é isso mesmo. Em termos de taxas essa pessoa acabou pagando três vezes a taxa desse banco mesmo ficando por pouco tempo com o título. 1,50% foi o que ela pagou para o banco esse ano, além da taxa BMF&Bovespa. Totalizando um custo de 1,80%. Considerando que essa pessoa tenha investido R$ 10.000,00 ela teria pago de taxas R$ 180,00 no decorrer do ano, ao invés de somente R$ 80,00. Ou seja, mais do que o dobro! 😮

Não lembra quando o seu banco/corretora cobra?

Fácil. O site do Tesouro Direto tem isso. Cliqueaqui

Há formas de sair disso?

Sim. É só procurar um banco/corretora que cobre uma taxa menor. Escolha um banco/corretora no link acima que cobre menos do que você está pagando, abra conta e peça para seu banco/corretora atual transferir seus títulos. Todos bancos/corretoras são obrigados a fazer isso, o processo é automático/seguro e é finalizado em poucos dias.

Previdência, que caminho seguir (parte 2)?

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Humberto Karan

Este é mais um post sobre tema de previdência privada e vamos tratar sobre a escolha do regime tributário no momento do regaste.

Sim! Pois além da escolha do PGBL ou VGBL, o cliente também deverá optar quando contrata o plano de previdência pelo regime tributário no momento do resgate.

Apenas lembrando, quem faz a declaração completa, a melhor opção é PGBL, isto porque você pode deduzir as contribuições em sua declaração, fazendo com que pague menos imposto no final. Para aqueles que fazem a declaração simplificada, a melhor opção é o VGBL.

Outra coisa que devemos sempre ter em mente, é que previdência é um produto com orientação para o longo prazo, ou seja, mais de 20 ou 30 anos.

Quais são os regimes tributários disponíveis no momento do resgate? São 2:

1) Regime compensável – onde a tributação dos resgates seguirá a tabela progressiva de imposto de renda e deverá ser somada com outras rendas do contribuinte caso ele tenha no momento do resgate;
2) Regime definitivo – onde a tributação ocorre diretamente na fonte e em caráter definitivo.

A escolha do melhor regime de tributação no momento do resgate é sempre uma tarefa difícil e complicada, pois trata-se de um prazo muito longo entre a aquisição do plano e o momento do resgate.

As variáveis são inúmeras, por exemplo, a capacidade de poupança pode diminuir ao longo do tempo, o cliente poderá perder o emprego durante o caminho e necessitar dos recursos antes do melhor momento de resgate no que diz respeito à perspectiva tributária, a legislação pode vir a ser alterada e outros fatores. Haja visto a possibilidade de mudança de regras na previdência social que estamos vendo nos últimos meses.

Vou passar mais detalhes e exemplos abaixo para um melhor entendimento.
1) REGIME COMPENSÁVEL

No regime compensável o cliente que realizar resgates terá sempre uma alíquota de 15% retida na fonte que é feita a título de antecipação, ou seja, dependendo do caso o cliente poderá ter esse valor de volta como restituição de IR. O valor (do resgate) deverá ser somado a outras rendas, caso existam, no momento do resgate e constará da declaração anual de imposto de renda. Conforme cada caso pode haver restituição ou imposto a pagar. Vejam os exemplos a seguir:

EXEMPLO 1 – RESGATE DA PREVIDÊNCIA (PGBL) SOMANDO COM OUTRA FONTE DE RENDA TRIBUTÁVEL
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EXEMPLO 2 – RESGATE DA PREVIDÊNCIA (PGBL) JUNTO SEM OUTRA FONTE DE RENDA TRIBUTÁVEL

exemplo 2

TABELA ANUAL DE IMPOSTO DE RENDA BASE DE 2015

tabela imposto de renda

2) REGIME DEFINITIVO

No regime definitivo regressivo, o recolhimento do imposto de renda é diretamente na fonte, ou seja, pela própria instituição de previdência privada. Um aspecto importante é que a alíquota será reduzida tendo em vista o prazo das contribuições podendo chegar a 10% para contribuições feitas com 10 ou mais anos. Ou seja, a alíquota é reduzida à medida que passa o tempo em que a contribuição foi feita. Daí o nome regressivo.

Segue abaixo a tabela de tributação do regime regressivo:

tabela regime regressivo

Neste caso a alíquota de imposto de renda diminui e pode chegar até 10% se a contribuição foi feita há 10 anos ou mais.
Por exemplo, se eu fiz uma contribuição em agosto de 2010, essa contribuição terá uma alíquota 10% de imposto de renda a partir de setembro de 2020.

Vale lembrar que nos planos PGBL o IR do resgate incide sobre o valor total e no VGBL o IR do resgate incide sobre os rendimentos.

3) ESCOLHENDO O MELHOR REGIME DE TRIBUTAÇÃO

A escolha do melhor regime de tributação no momento do resgate da previdência é – como já disse acima – uma decisão complexa uma vez que envolve uma tomada de decisão no presente referente a um momento futuro muito distante e incerto.

Imagine você tomando uma decisão de contribuição mensal em um PGBL com 25 ou 30 anos para um resgate com 50, 60 ou 65 anos! Algumas questões sempre surgirão: “E se eu precisar do dinheiro antes?”; “E se eu perder o meu emprego? ”; “E se eu mudar a forma como eu recebo os meus rendimentos? ”.

São questões realmente difíceis de se responder, especialmente em um horizonte de tempo tão longo e em um país como o nosso que passa por constantes transformações.

O importante é sempre ter a disciplina em poupar para ter reservas financeiras complementares para o momento da aposentadoria.

De todo modo, o melhor mesmo é conhecer e se informar a respeito das peculiaridades de cada regime para facilitar na decisão.

Para ajudar, a seguir está uma tabela onde coloco qual seria o melhor regime de tributação conforme a renda tributável de cada um e o prazo de contribuição:

tabela melhor regime

Lembrando que é sempre importante escolher uma instituição sólida e confiável para a opção da previdência privada.

Previdência, que caminho seguir?

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Fernanda Rogozyk

Muitas vezes escutamos várias siglas relacionadas aos planos de previdência e não conseguimos entender direito o significado de cada uma e a diferença entre elas.

Como comentei no post anterior, detalharei melhor os planos de Previdência Privada e como escolher o mais adequado para o seu perfil.

Especificamente, abordarei PGBL e VGBL, e já decifrando as siglas: Plano Gerador de Benefício Livre e Vida Gerador de Benefício Livre, respectivamente. Estes são os dois planos comercializados no país.

Como o objetivo é incentivar investimentos de longo prazo, estes planos têm incentivo fiscal na fase de acumulação, ou contribuição. A principal diferença entre PGBL e VGBL é a questão da tributação.

E é nesse ponto que já entra a principal decisão. Quem faz a declaração completa, deve optar pelo PGBL, isto porque você pode deduzir as contribuições em sua declaração, fazendo com que pague menos imposto no final. Para aqueles que fazem a declaracão simplificada, a melhor opção é o VGBL. Veja as diferenças abaixo:

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Para entender melhor o impacto destas contribuições na declaração de Imposto de Renda, coloco a comparação da vantagem fiscal com e sem PGBL, supondo que a pessoa aplique R$ 12.000 no PGBL:

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A pessoa que contribui para a previdência conseguiu deduzir a parcela das despesas onde inicidirá o IR e portanto, pagará menos imposto. A diferença de R$ 3.300,00 é equivalente ao imposto de 27,5% dos 12.000,00 (contribuição no PGBL) que está deixando de pagar agora e pagará no momento do resgate, lá na frente.

Isso quer dizer, que deixamos que pagar agora para pagar no momento de recebimento desse dinheiro.

Além da escolha pelo tipo de declaração feita, é importante avaliar o tipo de tributação escolhida, que pode ser através de dois regimes: progressivo e o regressivo, e a taxa de administração, taxa de carregamento e taxa de saída, que serão explorados no próximo post.

Previdência, uma bomba relógio

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Fernanda Rogozyk

Por que o tema de Previdência está sendo tão discutido?

Porque o sistema no Brasil está desproporcional, os gastos previdenciários crescem muito rápido, enquanto a proporção entre contribuintes e aposentados diminuem. Simples assim, a conta não fecha.

Para se ter uma idéia, a participação das pessoas de 60 anos ou mais na população brasileira era de apenas 3% no começo do século 20. Hoje, um em cada dez brasileiros tem 60 anos ou mais de idade. Em 2060, segundo projeções do IBGE e da ONU, os idosos serão um em cada três brasileiros.

Apesar da implantação do fator previdenciário ter atenuado o desajuste, é necessário ir além para evitar um desastre. Torna-se urgente uma reforma na Previdência.

Frente a essa incerteza no cenário, depender de uma aposentadoria pelo INSS é inviável. E o que fazer?

Primeiramente, o ideal é começar a guardar uma parte da renda bruta o quanto antes, para conseguir gerar uma renda mensal futura. Assim o período de acumulação será maior.

Quanto é preciso guardar por mês? Não existe uma fórmula exata para isso, mas existe um consenso entre planejadores financeiros que seria interessante guardar entre 5% e 10% de sua renda bruta para garantir uma renda mensal na aposentadoria de 70% de sua renda na ativa. Isso levando-se em consideração um período de acumulação longo (mais de 30 anos) e o fundo render pelo menos 6% acima da inflação.

Infelizmente no Brasil, as pessoas começam a pensar em aposentadoria muito tarde, contribuem com menos de 10% do salário, o que torna o planejamento para aposentadoria bem difícil.

Para facilitar o planejamento, algumas perguntas devem ser feitas para si mesmo:

– Por que não começo a poupar hoje?

– Com quantos anos quero me aposentar?

– Quanto posso poupar?

– Além do INSS, há outras rendas, como aluguéis ou participações acionárias?

– Caso necessário, tenho liquidez no meu patrimônio?

– Tenho outros fundos ou herança?

– Meus custos com dependentes deixarão de existir até a idade para aposentadoria?

– Os recursos acumulados não serão usados para outros projetos ou emergências?

– Tenho Plano de Previdência Complementar ou tenho a disciplina para investir todo mês parte do meu salário?

O planejamento é fundamental que se alcançar a independência financeira na aposentadoria. Com essas avaliações, você será capaz de tomar algumas decisões e agir: se aposentar mais tarde, poupar mais nos próximos anos, reduzir a renda necessária para aposentadoria, aumentar o risco dos investimentos para aumentar o retorno lá na frente.

O próximo passo seria se programar para aplicar um percentual de sua renda mensal. Se conseguir fazer isso, com disciplina, e sem cair em tentação de usar o dinheiro para outra eventualidade, o Tesouro Direto Inflação é um bom investimento. Agora, se existe o risco de cair em tentação, invista em um PGBL ou VGBL. Nos dois casos, é importante verificar a taxa de carregamento e de administração.

No próximo post, comentarei sobre como escolher os planos complementares de previdência e as diferenças entre PGBL e VGBL.

O importante é não deixar para amanhã, comece a se planejar desde já!

Como evitar que o Cartão de Crédito se torne uma dor de cabeça no orçamento

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Rosa Maria Quadros

Para estimular o crescimento do Brasil nas últimas décadas, o governo incentivou o que se chamou de 3 Cs (CCC) – consumo, crédito e exportação de commodities.

Este cenário acarretou em um elevado o nível de endividamento das famílias.

Hoje, de acordo com pesquisas realizadas pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 60% das famílias brasileiras possuem dívidas, sendo 25% em atraso. E o mais preocupante é que, quando se analisa o perfil de endividamento, 77,9% correspondem às dívidas com cartão de crédito.

Dados divulgados pelo GuiaBolso, aplicativo de controle financeiro, mostram que 40% dos lançamentos em média de uma fatura de cartão de crédito do brasileiro são parcelamentos, e o uso continua aumentando.

É comum as pessoas esquecerem-se de incorporar o valor das parcelas em seu gasto mensal e acabam tendo que utilizar-se do crédito rotativo no momento do pagamento da fatura, uma das linhas de crédito com as taxas mais caras do mercado. Os juros médios cobrados pelos bancos são de 470% ao ano, segundo o Banco Central.

Este nível tão alto de endividamento é reflexo da falta de entendimento da população sobre seus gastos e como funcionam os produtos financeiros. Por isso se vê a preocupação cada vez maior com iniciativas de educação financeira para orientar o uso consciente.

Preparamos algumas dicas importantes para que o cartão de crédito não vire uma dor de cabeça no seu orçamento:

  • Controle seu orçamento familiar e calcule se o valor da compra cabe no seu bolso
  • Se realizar compras parceladas lembre-se de incluir no seu orçamento o valor da parcela ao longo dos meses
  • Estabeleça um limite real de despesas e siga rigorosamente o planejado. Nem sempre o limite total do seu cartão de crédito é o que você pode comprometer mensalmente da sua renda
  • Pague o valor integral de sua fatura na data de vencimento
  • Evite utilizar o crédito rotativo do seu cartão, ou seja, pagar qualquer valor a partir do pagamento mínimo informado na fatura e deixar o saldo restante para pagar no mês seguinte. Ao se utilizar do crédito rotativo você terá que pagar juros, tarifas e impostos sobre o saldo devedor que não foi pago.
  • Se precisar procure alternativas de financiamento com juros mais baixos que os do cartão.
  • Cuidado ao realizar compras de pequenos valores. Quando somadas, o gasto pode ser expressivo.
  • Não utilize seu cartão como se fosse um complemento da renda ou um segundo salário. Voce poderá contrair dívidas que impactarão na realização dos seus sonhos.

Porque alguém investe na poupança?

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Gustavo Cunha

Na última semana saíram os dados sobre as movimentações da poupança nos primeiros seis meses de 2016, mostrando uma saída líquida de quase de R$43 bilhões. Este número deve ter surpreendido muita gente, mas o que mais me chamou a atenção foi que o saldo que ainda está lá aplicado de pessoas que têm mais de R$50.000 é de cerca de R$330 bilhões.

E porque isso me chamou a atenção? Porque segundo a reportagem do Valor de 07/07/2016 (http://www.valor.com.br/financas/4626779/poupador-acelera-saques-e-tira-r-43-bi-da-caderneta-no-ano) a diferença entre o quanto a poupança rendeu e uma aplicação com rentabilidade liquida de 88% do CDI que todos esses aplicadores teriam acesso é de, pasmem, R$4,0 bilhões no semestre! Não só em termos absolutos, mas em termos relativos isso daria uma diferença próxima a 2,5% a.a. Dito isso, fiquei me perguntando porque alguém com mais de R$50.000,00 para investir ainda teria dinheiro na poupança, e a seguir discuto cada um desses porquês:

– É seguro investir na poupança! Veja bem, quando aplicamos na poupança aplicamos na caderneta de poupança de um determinado banco. E se o banco quebra? Se o banco quebra, não é o governo que vai lhe garantir o seu dinheiro de volta, e sim o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que é uma instituição mantida pelos bancos e que garante depósitos na poupança até o limite de R$250.000 por banco e por CPF (saiba mais aqui: http://www.fgc.org.br/?conteudo=1&ci_menu=37). O FGC tem a mesma garantia para quem investir em um CDB/LCA/LCI de uma instituição financeira. Se você tem mais de R$ 250.000 aplicado na poupança em um único banco e o banco quebra, você terá um problemão para reaver esse dinheiro. Se é que vai conseguir fazê-lo! E se você tiver valor inferior, os outros títulos de Renda Fixa que o FGC também garante rendem muito mais do que poupança, ou seja, tem o risco parecido e rentabilidade melhor.

– Poupança não tem Imposto de renda. Correto, mas as aplicações em LCA/LCI também não têm. E lembre que o imposto de renda é sobre o rendimento! Se render nada, que diferença faz? Brincadeiras à parte, dado que a rentabilidade da poupança foi baixa, mas não zero, esses outros ativos (LCA/LCI) também não têm Imposto de Renda e rendem mais.

– Poupança não tem IOF. Correto, mas os investimentos em Renda Fixa têm IOF regressivo até o trigésimo dia, o que quer dizer que ele tira um pedaço do seu rendimento se você resgatar antes de 30 dias, mas mesmo assim você ganha rendimento. Na poupança, por outro lado, se você ficar menos de 30 dias, sua rentabilidade será zero, já que resgatará antes da data do aniversário.

– Poupança é fácil de aplicar. Sim, mas todos os bancos que oferecem poupança têm também esses ativos (CDB/LCI/LCA) disponíveis. E caso não tenham, ou o valor que você tenha para aplicar seja inferior aos R$50.000 dos quais estamos falando, agora contamos com a opção do Tesouro Direto. Além disso, com o avanço da tecnologia, hoje já existem algumas corretoras e bancos onde o cadastro e transferências são feitas de maneira totalmente digital, com processos rápidos e seguros, o que facilita muito a abertura de conta e a movimentação.

– Poupança é o investimento mais seguro no Brasil. Errado. Os investimentos em títulos públicos do Tesouro Nacional, feitos pelo Tesouro Direto por exemplo, têm como devedor o Tesouro Nacional (“governo federal”) e são considerados os mais seguros aqui. No Tesouro Direto é possível aplicar no Tesouro Selic, que rende muito mais do que a poupança! E é preciso ter somente R$30,00 para começar a investir lá.

Um outro argumento é de que estou olhando para trás e quando olhamos para frente a poupança tenderá a render mais que essas outras alternativas. Bem, da forma como é calculada a poupança hoje, TR + 0,5% ao mês se juros (SELIC) acima de 8,5% e TR + 70% da Selic, se Selic abaixo de 8,5%a.a., não consigo ver cenário onde 88% do CDI liquido dê menos do que a poupança.

Concluindo, dentre todos estes argumentos para se aplicar na poupança, não há um que justifique financeiramente a decisão de deixar o dinheiro lá ou investir algo. As únicas razões que consigo ver para isso são a falta de conhecimento ou a inércia. Se você leu esse texto, a primeira já não vale como justificativa. E aí? Que tal se mexer um pouco para aplicar com menos risco e mais rentabilidade?